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Missa lembra vítimas da chacina

Parentes pedem por proteção e justiça em celebração na Candelária; escultura é inaugurada na igreja

Marcello Gazzaneo

Paulo Nicolella
Parentes das vítimas da chacina na Baixada participam da inauguração de uma escultura, que retrata um homem de braços abertos sendo alvejado

Parentes das vítimas da chacina na Baixada participam da inauguração de uma escultura, que retrata um homem de braços abertos sendo alvejado

Irmã de Marco Aurélio Alves, 37 anos, um dos 29 executados na chacina da Baixada Fluminense, Márcia Cristina Alves perdeu a conta de quantas vezes rezou para pedir proteção para sua família, nos últimos 30 dias, diante do medo de represália por parte dos assassinos. Ontem, na missa em homenagem às vítimas do massacre, realizada na Igreja da Candelária, não foi diferente. Ao lado de outros parentes dos mortos e ainda sem qualquer amparo das autoridades, pediu mais uma vez por proteção e justiça.

- Desde que essa tragédia aconteceu, só nos resta pedir proteção a Deus. Só nele podemos confiar e temos que continuar vivendo - disse, em tom lacônico.

Hoje, em Nova Iguaçu, uma missa vai lembrar um mês do crime. A celebração de ontem, organizada pelo Fórum do Rio, que representa diversas organizações não-governamentais, acabou se transformando num grande ato contra a violência na Baixada Fluminense e o abandono dos municípios da região.

- Não é um ato apenas contra as balas, mas também contra a falta de escola, a falta de emprego e de saneamento básico que vivem os moradores da Baixada - desabafou o padre Paulo Machado, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Belford Roxo, durante a inauguração de uma escultura em homenagem aos mortos, atrás da Candelária, ocorrida logo após a missa.

- Toda essa situação também acaba levando à violência - acrescentou o padre Paulo Henrique Machado, da Paróquia Sagrada Família, da Posse, bairro em Nova Iguaçu onde aconteceu parte dos assassinatos.

Parentes de outras vítimas da criminalidade também estiveram presentes à missa. A atriz Kátia D'Angelo, cujo filho, Ronny D'Angelo, 26 anos, foi assassinado numa favela, em fevereiro de 1997, disse que é preciso gritar contra a violência.

- Eu estou cansada de ficar dentro de casa e morrendo de saudades do meu filho, chorando como muitas mães. Nós temos que lutar - desabafou.

Também presente, o cineasta Luís Carlos Barreto afirmou que a cidade já não suporta mais tanta violência. O artista plástico Antonio Breves encontrou na arte sua forma de apoiar as vítimas. Ele é o autor da escultura em forma de cruz, feita em ferro e de cinco metros de altura, em homenagem às vítimas. Uma réplica, menor, será enviada ao Papa Bento XVI.

- A escultura lembra um homem de braços abertos, sendo alvejado - contou.


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[30/ABR/2005]


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