Comissão em defesa da construção da unidade em Queimados quer fechar a Via Dutra
A comissão de moradores em defesa da construção do hospital público de Queimados planeja fechar a Via Dutra, na altura da entrada da cidade, nos próximos dias. O objetivo dos manifestantes é sensibilizar as autoridades federais, para que o esqueleto de 16 mil metros quadrados transforme-se na principal unidade de saúde da Baixada Fluminense.
A professora primária Paula Costa acredita que somente uma ação radical tenha efeito imediato para driblar a burocracia e questão judicial, que impedem a conclusão das obras.
- Estamos nos organizando e, caso o ministro da Saúde, Humberto Costa, não apresente uma solução até o dia em que visitar Cabo Frio, nós iremos fechar a Dutra. Não queremos promover confusão, queremos os nossos direitos - explicou Paula.
Outro membro da comissão, a secretária Rose Kelly Alves, está indignada com a possibilidade do espaço virar um centro cultural. Segundo ela, a idéia foi sugerida por alguns moradores que não acreditam mais na conclusão das obras do hospital. Rose Kelly diz que o abandono ao qual Queimados está submetida é um exemplo claro do descaso com a saúde pública.
- Queimados é sinônimo de abandono na saúde, tanto na área pública quanto privada. A maternidade particular, por exemplo, é um verdadeiro matadouro, o que faz as mulheres grávidas procurarem atendimento de urgência em outras cidades - disse Rose Kelly.
Michelle Noemi, 17 anos, não conseguiu vaga na maternidade particular quando foi ter seu primeiro filho, em 2003. Amanhã, ela completa 41 semanas de gravidez do segundo filho, cinco semanas a mais do que tempo normal de gestação.
- Vou recorrer ao Hospital da Posse mais uma vez.
Embargada pela Justiça, em 1997, por irregularidades na gestão de recursos - foram consumidos R$ 9.179.895,50 dos cofres públicos -, a obra tem apenas 3 mil metros quadrados construídos, onde funciona o ambulatório municipal e a Secretaria Municipal de Saúde da cidade.
O secretário Reinaldo Gripp confirmou a informação que a cidade não dispõe sequer de um leito público e as clínicas particulares, conveniadas ao SUS, oferecem apenas 85 vagas, número insuficiente para atender aos 200 mil moradores de Queimados.
No bairro do Fanchem, o posto de saúde que funciona 24 horas recebe críticas dos moradores, que reclamam da constante falta de medicamentos e de materiais para tirar raio-X.
- No posto de saúde é comum faltar esparadrapo e até chapas de raio-X. Quando uma de minhas filhas pegou uma virose, fui obrigada a tratar em médico particular. A saúde em Queimados é caótica - contou a dona de casa Halielma Pinheiro Vieira, mãe de duas meninas.