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Hospitais da Lagoa e Ipanema anunciam greve

Prefeito tinha que pagar os funcionários municipalizados até ontem

Carolina Benevides

Funcionários municipalizados dos hospitais da Lagoa e de Ipanema, que estão sob intervenção federal, anunciam que farão greve hoje. A decisão foi tomada ontem à tarde, depois que constaram que a prefeitura não pagou as gratificações por produtividade e chefia, adicional noturno e insalubridade relativos ao mês de março. De acordo com Adilson Bezerra, consultor jurídico do Ministério da Saúde, Cesar Maia tinha até ontem, às 23h59, para cumprir a liminar expedida na última quinta-feira pelo juiz Silvio Wanderley do Nascimento Lima, da 11ª Vara da Justiça Federal.

- Vamos tomar uma atitude de cunho jurídico depois que ficar comprovado que não houve pagamento. Se isso acontecer, amanhã (hoje), no primeiro horário, vamos tomar as providências. Mas acredito que a prefeitura não vá descumprir a decisão judicial. Isso seria um ato criminoso - explicou Adilson.

No Hospital da Lagoa há 890 servidores municipais, que representam dois terços do total de funcionários da unidade. No de Ipanema são 194.

- Eles decidiram pela greve nas duas unidades porque alguns receberam 50% a menos do que o esperado. A paralisação acaba quando o prefeito pagar - explicou Roberto Gonçalves, diretor do departamento jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social do Rio de Janeiro (Sindisprev).

De acordo com a assessoria do Instituto Nacional do Câncer, responsável pela administração do Hospital da Lagoa, não há motivação para a greve por parte da ampla maioria dos funcionários lotados no hospital. Além disso, a assessoria informou que a Associação dos Funcionários do Hospital da Lagoa é contra o indicativo de greve.

Mesmo com a greve decretada, a interventora do Hospital de Ipanema, Regina Xavier, não acredita que o atendimento será muito prejudicado.

- Quem trabalha tem que receber. Essas pessoas têm contas para pagar. No entanto, o hospital vai funcionar porque funcionários federais não vão participar da paralisação. Com isso, Cesar Maia não vai conseguir que a gente pare os atendimentos. O não pagamento é mais uma tentativa de aumentar a crise na saúde - disse Regina.

Segundo ela, o ambulatório vai funcionar, mesmo sem a presença dos funcionários municipalizados. De acordo com Edite Alves dos Santos, diretora do Sindisprev, as cirurgias marcadas pela oncologia também serão realizadas.

- Se uma pessoa operada vier para o hospital, ela será atendida. Mas só uma das portas do hospital estará aberta - disse Edite.

A liminar obrigava a prefeitura a pagar os atrasados aos funcionários até ontem. Não cumprindo a determinação, será cobrada uma multa de 30% do valor do montante. Esse valor terá que ser depositado diariamente pelo prefeito e pelo secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho.

Ontem, o prefeito Cesar Maia informou que a folha de pagamentos já havia sido impressa na quinta-feira, data de concessão da liminar e que, por isso, os funcionários não receberam.

- Assim que a notificação chegou mandamos rodar a folha suplementar. Em poucos dias, ela estará ajustada - disse o prefeito, sem estipular uma data.

Segundo Jorge Darze, presidente do Sindicato do Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed), se o não pagamento se confirmar, o Sinmed vai entrar com um pedido para que o Judiciário atue no caso.

- Notificaremos ao juiz da 11ª Vara que o prefeito não cumpriu a liminar. O pagamento da multa não resolve o problema de quem ficou sem o salário. O Judiciário terá que buscar uma alternativa para que a prefeitura pague - disse Darze.

Para ele, a falta de pagamento não prejudica só os funcionários e seus familiares.

- Isso causa dano ao povo do Rio. Cesar Maia foi notificado e, por isso, deve assumir a responsabilidade. Embora seja direito do trabalhador, essa greve acontece em meio a uma crise e o prefeito é o responsável pela paralisação. O não cumprimento dessa medida judicial prova mais uma vez a desordem da Secretaria Municipal de Saúde - disse Jorge Darze.


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[05/ABR/2005]


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