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Noite de horror na Baixada

Mais de 20 pessoas são assassinadas por homens armados em dois carros. Secretaria de Segurança desconfia de policiais

Gustavo de Almeida

Um bando de homens armados reviveu o pior momento da história do Rio de Janeiro nas últimas décadas, na noite de ontem na Baixada Fluminense: até o início da madrugada, as informações eram de que havia 23 pessoas assassinadas nos bairros da Posse (11 mortos), em Nova Iguaçu, e em Queimados (12), antigo distrito emancipado de Duque de Caxias. Os responsáveis pela chacina estariam em dois veículos, um Gol branco e um prata. O Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam) destinou oito carros com policiais para cada uma dos batalhões localizados na Baixada Fluminense, a fim de iniciar uma caçada que se estenderia por toda a madrugada.

O número certo de mortos ainda deve ser confirmado, pois depois das primeiras informações sobre as chacinas na Posse e em Queimados os assassinos continuaram atuando. É possível que o número de mortos passe de trinta. A Secretaria de Segurança Pública investiga a hipótese de policiais mancomunados com os punidos na véspera - pela Operação Navalha na Carne, determinada pelo secretário Marcelo Itagiba - terem praticado os crimes em série.

A operação foi criada para investigar, identificar, prender e expulsar policiais envolvidos em crimes. Esta semana está apurando o envolvimento de policiais militares no assassinato de dois homens cujos corpos, um deles decapitado, foram deixados nos fundos do 15º BPM (Duque de Caxias). O delegado titular da 59ªDP (Duque de Caxias), Júlio Mulatinho, solicitou à Primeira Vara de Duque de Caxias as prisões temporárias, por 30 dias, de oito policiais do batalhão que estão presos administrativamente como suspeitos do crime. O delegado pediu, também, a quebra do sigilo telefônico dos policiais e mandados de busca e apreensão para suas residências.

- A operação vai continuar expurgando das corporações todos aqueles policiais que não honrarem suas fardas e distintivos, praticando crimes - disse ontem o secretário Marcelo Itagiba, ao saber da chacina ocorrida na Baixada Fluminense.

Investigadores da 58ªDP (Posse) saíram a campo ontem pela madrugada para checar denúncias de mais oito mortes além das 23 conhecidas, o que elevaria o total das vítimas para mais de 30.

Hoje pela manhã a PM fará grande operação por toda a Baixada. Carros de polícia vão se encontrar em um dos batalhões da região para de lá partir em comboio. As identidades das vítimas de assassinato cujas cabeças foram jogadas dentro do batalhão na terça-feira foram divulgadas ontem: Anderson Ferreira Gomes, de 28 anos, e André Luís de Almeida Sales, de 27. Segundo legistas do Instituto Médico-Legal (IML), Anderson foi morto por asfixia e André, degolado.

Uma testemunha informou que as vítimas foram detidas em um bar, em São João de Meriti, por seis homens que ocupavam dois veículos da marca Gol, um branco e outro cinza - possivelmente os mesmos veículos usados na chacina de ontem.


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[01/ABR/2005]


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