E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Especial
Carnaval 2005
Colunistas
 

Descaso também com os mortos

Prefeitura não detalhou causas de mortes em hospitais em 2004. Especialistas dizem que sem dados não há planejamento

Waleska Borges

A Prefeitura do Rio ainda não sabe o número e as causas das mortes nos hospitais e unidades de saúde da cidade em 2004. Sem esses dados, segundo integrantes do Conselho Municipal de Saúde, o planejamento das ações na saúde fica às cegas. Representantes da classe médica denunciam que a morosidade no levantamento dos óbitos está relacionada à falta de pessoal. A estática é feita anualmente pela Coordenação de Programas de Epidemiologia da secretaria municipal de Saúde. O último levantamento, em 2003, mostra que 50.083 pessoas morreram no município.

- Pedimos os números dos óbitos ao setor de epidemiologia, mas a informação era que os dados seriam disponibilizados apenas em julho, por falta de pessoal. Uma firma estaria sendo contratada para fazer o trabalho - indigna-se Getúlio Gomes, integrante do Conselho Distrital de Saúde de Santa Cruz.

Segundo Adelson Alípio, diretor do Conselho Municipal de Saúde, na sexta-feira, o órgão pediu ao Ministério Público estadual que cobrasse do município mais agilidade no levantamento das mortes.

- A demora na divulgação dos dados é um ato irresponsável. Com o levantamento, temos uma diagnóstico das mortes e podemos prever o planejamento das ações - explica Alípio.

De acordo com Getúlio Gomes, por meio do levantamento das mortes também pode-se traçar medidas sanitárias para evitar doenças como tuberculose e hanseníase que, segundo ele, têm crescido na Zona Oeste.

- Esperar até julho pode ser tarde demais. A ausência dos números prejudica a qualidade do atendimento - avaliou Gomes.

Segundo o deputado estadual Paulo Pinheiro (PT), presidente da Comissão de Saúde da Alerj, o atraso na divulgação dos números vem ocorrendo há dois anos. De acordo com o deputado, a comissão recebeu o levantamento de 2003 em outubro de 2004. Já os números de mortes de 2002 só foram divulgados em julho de 2003.

- Em 2003, morreram 1.369 menores com menos de um ano de idade, 920 deles não tinham completado um mês e deste total 671 morreram na primeira semana de vida - lembra Pinheiro.

Para o deputado, as mortes dos menores com menos de um ano revelam a má qualidade dos serviços de pré-natal e parto. Um outro dado de 2003, que chama a atenção, segundo o deputado, é o percentual do número de mortos residentes no município: 97,2%. Somados os mortos dos municípios de Duque de Caxias e São João de Meriti chegam a 0,8%.

- O número de mortos que moram no Rio desmente a informação da prefeitura que as internações de fora do município representa 35% - analisa Pinheiro.

Em 2003, o levantamento da prefeitura mostrou que a principal causa dos óbitos de residentes do município foi por doenças do aparelho circulatório. Foram registradas 13.965 mortes.

- Este dado aponta a falência do tratamento preventivo da hipertensão arterial - alerta o deputado.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze, os números de mortes em 2004 podem apontar índice superior à média dos anos anteriores.

- A ausência do levantamento das mortes reflete a crise no gerenciamento da rede municipal de saúde - explica Darze.

A secretaria municipal de Saúde afirma que não há falta de funcionários para o trabalho de levantamento das mortes. Segundo o município, a demora na divulgação dos dados é por causa do grande volume de trabalho. Ainda segundo a prefeitura, desde janeiro, foram contratados quatro digitadores para auxiliar o trabalho de 12 funcionários. O levantamento é feito através dos registros de óbitos repassados ao município pelas unidades hospitalares e o Instituto Médico-Legal. O material deve ser concluído até o mês de abril.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[23/MAR/2005]


   Home > Rio de Janeiro


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas