O Rio é único porque nenhuma outra cidade brasileira deu – e dá – tanto para receber tão pouco. É a única que aceitou alegremente ceder seu posto de capital da República em troca de compensações que nunca vieram. E, a partir daí, passou a sofrer toda espécie de abandono e discriminação em relação ao que era federal e que foi deixado aqui – vide a Biblioteca Nacional, o Colégio Pedro II, o Cais do Porto, a Floresta da Tijuca, o Observatório Nacional. Claro que o Rio é único – que outra cidade teve dois governos Brizola e um Moreira Franco, seguidos, e sobreviveu? Que outra cidade tem os piores políticos do mundo a representá-la em Brasília? E que outra cidade tem uma rede de televisão dedicada a satanizá-la 24 horas por dia em cadeia nacional? E, finalmente, que outra cidade deu quase 90% de seus votos a um político que desconhece a dívida cultural e humana do Brasil para com ela, despreza os seus problemas e pensa que o Curíntia é preocupação nacional? Esta cidade é o Rio e ela continuará a ser única porque, apesar destas e de outras desgraças combinadas, irá, como sempre, sobreviver.
Ruy Castro - Escritor, autor de, entre outros, “Carnaval no fogo - Crônica de uma cidade excitante demais“, sobre o Rio.