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Saúde sob ameaça de colapso

Às vésperas do carnaval, quando aumenta em 40% o número de atendimentos, faltam equipamentos e remédios nas emergências

Waleska Borges

A falta de materiais básicos e até de equipamentos como o de raios X nas emergências dos hospitais municipais ameaçam o atendimento à população durante o carnaval. A partir de sexta-feira, a procura pelas emergências deve aumentar em 40%. Para suprir as carências, a prefeitura publicou ontem no Diário Oficial o uso de verbas de emergência para aquisição de material, conserto de aparelhos e lavagem de roupas. Representantes da classe médica afirmam, no entanto, que não há tempo hábil para normalizar o abastecimento e providenciar os reparos necessários.

- A qualidade do serviço está ameaçada, temos consciência de que este carnaval será um massacre. Os médicos terão que escolher quem será atendido - alerta Adelson Alípio, presidente do Conselho Distrital de Saúde da área que abrange Santa Cruz, Paciência e Sepetiba.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed), Jorge Darze, o prefeito Cesar Maia comprometeu-se com o ministro da Saúde, Humberto Costa, a normalizar o abastecimento da rede para atendimento no carnaval. Darze vê com pessimismo a promessa da prefeitura.

- Será preciso ver para crer - enfatiza Darze.

O presidente do Sinmed alerta que, durante o carnaval, o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, é referência para os atendimentos do Sambódromo. Diariamente, o hospital atende quase mil pessoas no setor de emergência. Cerca de 120 mil pessoas passarão pela Apoteose no sábado e domingo de carnaval. A Riotur estima em 770 mil o número de turistas no Rio.

- A situação é preocupante. No Souza Aguiar, os seis aparelhos de raios X estão quebrados. No Miguel Couto, o sistema de ar refrigerado da emergência está parado. Será que vão consertar tudo amanhã? - pergunta o deputado Paulo Pinheiro, vice-presidente da Comissão de Saúde da Alerj.

Adelson Alípio lembra que os postos de saúde ficam fechados no carnaval, o que piora a situação nas emergências. Durante o período, 12 hospitais do Estado funcionarão em regime de emergência, sem consultas e cirurgias eletivas.

- O Rio só tem três postos de saúde funcionando por 24 horas - comenta Adelson.

Apesar das denúncias, a prefeitura garante que o Hospital Souza Aguiar não será sobrecarregado no carnaval. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, serão instalados cinco postos de saúde no Sambódromo e um no Terreirão do Samba.

Nos despachos do subsecretário municipal de Saúde, Mauro Marzochi, no DO de ontem, o Hospital Souza Aguiar foi o mais beneficiado entre as unidades da rede. Foram requisitados consertos de respiradores, bisturis eletrônicos, aparelho de anestesia, além da compra de material médico-hospitalar e alimentos dietéticos. Os serviços também estão previstos para outros hospitais, entre eles o do Andaraí, Miguel Couto, Laranjeiras, Lagoa, Carmela Dutra e Piedade. No Andaraí, Marzochi autorizou a liberação de R$ 813.960 mil para prestação de serviço de mão-de-obra para lavagem de roupa.

Os despachos estão baseados na lei nº 8883/94, que dispensa licitação em vista da emergência no atendimento. Segundo Paulo Pinheiro, a estratégia vem sendo utilizada pela prefeitura para suprir a falta de medicamentos. De acordo com o deputado, para suprir as carências os hospitais recebem de R$ 120 a R$ 160 mensais do Fundo Rotativo. O recurso é usado para resolver o problema de imediato, sem licitação.

- A crise não é financeira, mas de gestão. A compra em caráter emergencial e sem licitação é uma prova que há falta de planejamento - opina Pinheiro.

A secretaria informou que os despachos do DO são destinados para liberação de pagamentos. De acordo com a prefeitura, os pedidos para compra de material e consertos de equipamentos são para manter o estoque já existente.


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[04/FEV/2005]


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