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Um domingo de 41 graus

Praias lotadas tiveram temperaturas recordes para o verão. Previsão, no entanto, é de chuvas fortes para o Rio

Duilo Victor

Especial para o JB

Praias superlotadas no dia mais quente deste verão. O termômetro do Instituto Nacional de Meteorologia chegou a marcar 39,8° na Praça Mauá, temperatura mas alta deste verão na cidade. Outros termômetros espalhados pelo Rio, no entanto, indicam que o calor pode ter sido mais forte. Na Lagoa, houve quem se assustasse com o termômetro assinalando 41º. Na orla, uma semana depois do pânico que atingiu os banhistas na Praia de Copacabana por causa de um tiroteio no Morro do Chapéu Mangueira, os freqüentadores desta vez tiveram um pouco mais de sensação de segurança na areia.

Mas o que é bom dura pouco: a Secretaria Nacional de Defesa Civil, do Ministério de Integração Nacional, divulgou ontem alertas metereológicos sobre a ocorrência de chuvas fortes, raios e rajadas de vento em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Os temporais poderão causar alagamentos e deslizamentos de terra nestas regiões. No Rio de Janeiro, os temporais poderão se estender até quinta-feira. Durante esse período, estão previstas chuvas fortes e rajadas de vento de até 60 Km/h.

O calor, porém, também causou uma tragédia: a estudante Jéssica Monteiro, de 14 anos, morreu após sofrer uma sequência de paradas cardiorrespiratórias em frente ao Posto 12, no Recreio. A jovem, que tinha problemas no coração, entrou em choque após fugir de uma briga no local. Uma pessoa não identificada teria disparado seis tiros para o alto, provocando tumulto entre os banhistas. Policiais do 31º BPM (Recreio) não confirmam a ocorrência dos disparos.

Amparada pela equipe de guarda-vidas do G-Mar, a menina foi socorrida no próprio Posto 12. Médicos do Grupamento de Socorro e Emergência (GSE), da Defesa Civil, tentaram reanimá-la com respiração boca-a-boca, massagens cardíacas e injeções de adrenalina por mais de uma hora. A seguir, ela foi transportada de helicóptero para o Centro de Recuperação de Afogados do 2º G-Mar, na Barra, onde já chegou morta.

- Ela tinha sopro no coração desde que nasceu. De vez em quando desmaiava por poucos minutos - disse a empregada doméstica e moradora da Taquara Márcia Monteiro, de 48 anos, mãe de Jéssica.

Na praia de Copacabana, a turista americana Rimma Belyusky, 50 anos, está há três dias no Rio e logo notou a diferença entre a cidade e San Diego, onde mora, na Califórnia.

- O calor é muito maior e as pessoas daqui, homens e mulheres, são muito mas bonitas - comenta a visitante, que disse ainda não se preocupar com os freqüentes assaltos a turistas.

Houve quem preferisse passear na Lagoa a andar pelo calçadão quente, e acabou encontrando o mutirão de limpeza que retirou 30 quilos de lixo das águas. A iniciativa (ver ao lado) foi bem recebida. A professora Ana Maria Souza, que mora há 10 anos no bairro, estava caminhando quando resolveu parar para observar o trabalho do grupo. Ela elogiou o mutirão e as atividades de preservação do projeto Água Viva, do Centro Cultural das Águas.

- Essas iniciativas são muito importantes para a Lagoa. Mas o ideal seria que não houvesse lixo ao redor do espelho d'água. Se todos pensassem em preservar a natureza, teríamos um meio ambiente mais limpo e saudável - disse a professora.

Com Camilla Antunes


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[17/JAN/2005]


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