Subprefeitura impõe ordem nas praias

Operação descobre três toneladas de material de ambulantes enterrado na areia; luaus também serão reprimidos

Gustavo de Almeida

[15/JAN/2005]

A ordem urbana que o prefeito Cesar Maia apregoa desde o primeiro mandato parece finalmente estar se estendendo para além dos limites do calçadão. A subprefeitura da Zona Sul começou a apertar o cerco em torno das irregularidades da orla. Na madrugada de ontem, a primeira grande operação de ordenamento urbano do Rio recolheu da areia cerca de três toneladas de produtos - basicamente isopores, cadeiras e mesas, que estavam escondidos em depósitos irregulares na praia. A ação foi coordenada pela subprefeitura da Zona Sul e contou com a participação de agentes do Departamento de Controle Urbano, da Guarda Municipal, Comlurb e da Polícia Militar.

Esta foi a primeira de uma série de operações que a subprefeitura pretende fazer na orla. Um dos objetivos é evitar o aumento excessivo de ambulantes nas praias - quando começar a se aproximar o carnaval, o número de vendedores de cerveja e refrigerantes nas areias e no calçadão chega a triplicar. Além disso tudo, a ordem ''praiana'' terá outro alvo: os luaus.

De acordo com o suprefeito Mário Filippo Júnior, os luaus organizados por particulares são totalmente ilegais, a partir do momento em que cobram entrada.

- A praia é de todos. Se alguém quiser ir à noite para as areias, tocar violão, namorar, levar cerveja, tem todo o direito. Mas a partir do momento em que se fecha um espaço delimitado e se cobra pelo ingresso, a história é outra. Não se pode restringir o acesso - advertiu o subprefeito.

Além da cobrança de ingresso, segundo o subprefeito os luaus ainda cometem diversas infrações. O uso do espaço para exploração publicitária, a manipulação de alimentos e a presença de aparelhos sonoros em alto volume - infringindo a Lei do Silêncio - são outros itens para os quais a subprefeitura se mantém alerta.

- Esporadicamente temos realizado também operações em parceria com a Rio Luz, pois a maioria dos luaus irregulares que encontramos e que usam aparelhos sonoros têm ligações clandestinas (''gatos'') feitas na iluminação pública - alertou Filippo.

Já os vendedores ambulantes que deixaram o material na praia serão advertidos e a expectativa é a de que eles liberem as areias para os banhistas. Problemas com depósitos clandestinos nas praias representam grande parte das reclamações na ouvidoria do órgão. Todos os ambulantes são alertados, quando recebem a autorização para trabalhar nas barracas, de que o material que for deixado na praia será recolhido ao depósito público municipal.

- Já temos outros alvos da operação, pois recebemos diversas denúncias de moradores, tanto em relação a luaus quanto a mercadorias enterradas na areia - disse o subprefeito, que encontrou na madrugada de ontem nas areias da Praia Vermelha (onde havia luau) e do Leme (onde havia material enterrado) até mesmo talheres usados. A legislação proíbe o vendedor de alimentos na praia de usar talheres que não sejam descartáveis.

- Encontramos tantas irregularidades e tanta carga nestes lugares que nem tivemos tempo para continuar a operação até Ipanema. Mas nas próximas madrugadas, serão feitas novas blitzes - disse Filippo.

Na Câmara dos Vereadores, a onda de ordem na orla chegou ao plenário ontem. O vereador Dionísio Lins (PP) apresentou projeto para normatizar as atividades de funcionamento dos quiosques existentes na orla marítima e praças da cidade, com a construção de instalações sanitárias em suas dependências. Se aprovado em primeira votação, deve causar polêmica, principalmente porque implicaria em obras caras para os donos de quiosques.

- Os quiosques, principalmente da Zona Sul, estão na contramão da política de saúde municipal por não possuir banheiros - disse o vereador.

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