Operações vão contar, cada uma, com 1.500 homens, sempre ajudados por helicópteros. Governos estadual e federal se unem
As polícias Civil e Federal vão unir informações sobre cinco favelas no Rio que vêm sendo utilizadas pelos traficantes para armazenar drogas e armas. A intenção é que a partir daí sejam mobilizados 1.500 homens, auxiliados por helicópteros, para em ações integradas tentar a prisão dos criminosos e apreensão de material. Pelo menos essa é a intenção do secretário de Segurança Pública, o delegado Marcelo Itagiba, apresentada ontem pela manhã na reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI). A participação das Forças Armadas no combate ao crime será definida pelo governo federal, mas há o projeto inicial de que os militares cuidem da recuperação do armamento desviado de seus paióis. No dia 24, os representantes dos governos estadual e federal voltam a se encontrar para acertar os últimos detalhes do Plano de Segurança Pública.
- O uso da inteligência tem o objetivo de identificar os líderes do tráfico. Faremos cruzamento de informações, registros fotográficos e filmagens, além de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça. Ainda levantaremos o contingente de criminosos por eles empregado e os locais onde estão localizados os paióis de armas e drogas - afirmou Marcelo Itagiba, logo após a reunião.
De acordo com o secretário, ações como a que foi realizada no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade, devem ser repetidas, mas em maior escala em diversos locais.
Na ocasião, foram utilizados 500 homens. Da próxima vez, a intenção é mobilizar um total de 1.500 policiais. Um dos alvos da ação deve ser a Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul.
A comunidade é apontada como um dos principais entrepostos de drogas e armas da facção Amigos dos Amigos (ADA). O grupo vem se expandido pela região. Já invadiu o Morro do Vidigal e, segundo a polícia, no último domingo à tarde, foi o responsável pelos disparos realizados no alto do Morro Chapéu Mangueira, no Leme. Existe a suspeita de que policiais atuem junto à facção na segurança de traficantes, no vazamento de informações e no fornecimento de armas.
- Daqui para a frente, ações permanentes numa determinada
área serão mais usuais do que ocupações que, com o passar do tempo, tendem a ser contra-producentes, pois os bandidos, sufocados, tendem a sair para
outras áreas - explicou o secretário de Segurança Pública.
Além de representantes do governo estadual como o chefe de Polícia Civil, o delegado Álvaro Lins e o comandante da Polícia Militar, o coronel Hudson Aguiar, ainda participaram do encontro o diretor do Departamento de Políticas e Programas e Projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Valmir Lemos de Oliveira; o superintendente em exercício da Polícia Federal do Rio, o delegado Roberto Prel, além do superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Carlos Correa.
Todos os integrantes do GGI terão até a próxima semana, no dia 19, para analisar as propostas do secretário Itagiba, podendo fazer assim as possíveis correções no novo plano, para serem apresentadas no encontro do dia 24.