Para roubar câmeras e dinheiro, grupo de menores usa animais e ameaça turistas estrangeiros no Centro do Rio
Um grupo de jovens está usando cachorros para intimidar e assaltar turistas estrangeiros no Centro da cidade. Os roubos vêm ocorrendo nas proximidades dos pontos turísticos mais procurados, entre eles o Largo de São Francisco e os Arcos da Lapa. Os ladrões usam os cães para cercar os estrangeiros, que, quando resistem, são mortidos e obrigados a entregar dinheiro, câmeras e objetos de valor. Os ataques ocorrem nos fins de semana e feriados. Investigações da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) apontam que os ladrões são moradores do Complexo do São Carlos e, provavelmente, do Morro da Mineira, área dominada pela facção criminosa Comando Vermelho.
No ano passado, a Deat registrou cinco ocorrências de assaltos com cães no Centro. No entanto, funcionários de prédios que trabalham na região denunciam que o número de roubos é muito maior do que os registros da delegacia. No último domingo, por volta das 12h30, um casal de turistas argentinos foi atacado por um cão próximo ao Largo do São Francisco.
- Escutei uns gritos. Quando olhei, era um cachorro vira-lata que estava mordendo a perna da mulher enquanto o homem era roubado - conta um vigia, que preferiu não se identificar.
Segundo o vigia, ele e outros dois homens correram para o local e os dois assaltantes fugiram com o cachorro. Mesmo ferida, a turista não foi até o hospital nem registrou o caso na delegacia. De janeiro a outubro do ano passado, o Hospital Souza Aguiar, no Centro, atendeu a 369 pessoas mordidas por cães. Em 2003, foram 430 os ataques. O hospital não contabiliza, entretanto, quantos atendimentos foram a turistas mordidos.
- Eles (os ladrões) chegam por volta das 9h e vão embora à tardinha. Parte do grupo fica de bicicleta vigiando os turistas e outra vai para o assalto com os cachorros. São vira-latas e parecem ensinados - conta o vigia.
De acordo com o delegado titular da Deat, Álvaro Luiz Pinto de Souza, os assaltantes agem em grupos acima de três pessoas. Há informações do uso de um cão vira-lata branco e preto nos assaltos aos turistas.
- Pela dificuldade para transportar cães em ônibus e até carros, dificilmente os assaltantes seriam do subúrbio. Temos informações de que os ladrões são menores do Complexo de São Carlos - diz Souza.
O delegado explica que a polícia tem dificuldades para identificar os ladrões.
- Os turistas vão embora e precisamos de detalhes que apontem os indícios da participação no assalto. Neste caso, o melhor a ser feito é a prevenção com o policiamento ostensivo - explica.
O comandante do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), tenente coronel Luiz Antônio Corso, tem outra versão para os assaltos com cães.
- Sabemos que tem um mendigo que dorme na rua do Centro e usa um vira-lata para conseguir dinheiro dos turistas - diz o comandante.
A declaração do coronel é contestada por comerciantes da área do Largo do São Francisco. Eles afirmam que os assaltos são praticados por um grupo de jovens. Os comerciantes denunciam que as bicicletas usadas pelo bando e os produtos roubados são escondidos numa vila ao lado da Igreja de São Francisco de Paula. Dois integrantes do grupo, segundo os comerciantes, são conhecidos como Maurição e Cabeludo.
- Os objetos roubados também são escondidos em bueiros. Os cães vão junto com o ladrão para os assaltos - conta uma testemunha dos assaltos.
Segundo informações dos comerciantes, apesar de vira-latas, os cães são ferozes.
- A igreja é um ponto turístico. Muitas vezes, os turistas saem direto do píer para fotografá-la. É aí que acontecem os assaltos - lamenta um comerciante.