Vagas de rua em torno do novo estacionamento serão cobradas por meio de parquímetros, como nos EUA
A paisagem do Centro do Rio começa a mudar na próxima quinta-feira, quando técnicos da empresa Autopark e da Planos Engenharia, ambas de São Paulo, iniciam a interdição de parte da pista da Avenida Presidente Antônio Carlos. Um estacionamento subterrâneo para 263 vagas estará pronto em maio de 2006, eliminando um total de 120 vagas rotativas e privadas (do Tribunal Regional do Trabalho) da região. A pista que será interditada semana que vem, do lado esquerdo da avenida (a que fica junto aos prédios do Ministério da Fazenda e do Tribunal Regional do Trabalho), vai mudar de mão após a inauguração da garagem subterrânea, criando assim mais uma opção de saída para a Perimetral e a Zona Sul para o motorista que estiver na Avenida Almirante Barroso. Se estivesse em funcionamento hoje, segundo informou a Autopark, o preço da primeira hora de estacionamento seria de R$ 7,75. Com mais R$ 4,84 pela segunda hora e R$ 2,91 por cada hora adicional. A mensalidade estaria por R$ 290,70. O preço, porém, pode ser reajustado pelo índice Geral de Preços (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas e pode até ser reduzido.
A Autopark, empresa que administra dois estacionamentos subterrâneos em São Paulo (Hospital das Clínicas e Parque Trianon, na Avenida Paulista), vai inaugurar também, a 300 metros da Antônio Carlos, outra garagem do tipo na Praça Virgílio de Melo Franco, atrás da Maison de France. Essa obra, porém, deve ter seu início adiado - deve começar em seis meses, assim que estiverem concluídas as negociações com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
- Se as negociações forem bem, em vez de 240 vagas na garagem a ser aberta na Praça Virgílio de Melo Franco, haverá mil. E a ligação com o Aeroporto Santos Dumont será subterrânea, por meio de um transporte adequado, como nos aeroportos mais modernos - disse ontem o diretor-executivo da Autopark, Sílvio Padilha, em apresentação no Clube de Engenharia.
O início das obras, de imediato, acaba com 20 vagas no trecho compreendido entre as avenidas Beira-Mar e Presidente Wilson. O estacionamento privativo de funcionários do prédio do Tribunal Regional do Trabalho será extinto - o TRT mudou a maior parte de seus escritórios para a nova sede, mais moderna, na Rua do Lavradio. Padilha, no entanto, diz que a Autopark está aberta a conversas com os funcionários para discutir formas de pagamento, mas só depois da obra concluída, em 18 meses.
O contrato da Prefeitura do Rio com a Autopark foi assinado em outubro de 2000, e só depois de quatro anos de burocracia para a obtenção de diversos tipos de licenciamento ambiental foi possível iniciar as obras. A última licença ambiental, segundo Padilha, foi concedida há seis meses pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). Os primeiros cinco meses serão para serviços primários com as concessionárias de serviços públicos, como remanejamento de fiação elétrica e desvio de tubulações. A fase da contenção começa no quarto mês, utilizando método já aprovado pela Coordenadoria dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ. São colocados os muros de contenção e a laje superior que separará a pista da escavação. Logo em seguida, a partir do quinto mês, começam os movimentos de terra e a colocação das fundações, fase que durará sete meses. Até o 14º mês de obra, a Planos Engenharia trabalhará na estrutura do serviço e nos acabamentos internos e a partir daí a garagem será finalizada e toda a Avenida Presidente Antônio Carlos passará por uma nova urbanização. Serão plantadas 107 árvores - durante a obra, 22 vão ser retiradas da avenida.
As duas garagens estão orçadas em R$ 14 milhões, sendo que no caso da localizada na Praça Virgílio de Melo Franco, o preço pode triplicar se o acordo com a Infraero for assinado. Neste caso, a garagem ganhará dois pavimentos extras, para acolher mil carros, e serão adaptadas mais esteiras rolantes e um carro para transporte de passageiros.
- As primeiras conversas com o presidente da Infraero, Carlos Wilson, foram muito positivas. Já tivemos dois contatos - disse Padilha.
O Aeroporto Santos Dumont está passando por reformas e o objetivo é, em cinco anos, passar de quatro para dez milhões de passageiros ao ano. Daí a necessidade de investir em mais vagas, ressaltou Padilha.