Inca revela que 90% dos fumantes adultos tornaram-se dependentes até os 19 anos de idade
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou ontem a campanha Fumar é Gol Contra, voltada para a juventude. Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado amanhã em todo o país, as crianças e adolescentes se tornam alvo das campanhas preventivas do Inca porque 90% dos fumantes adultos tornaram-se dependentes do fumo até os 19 anos.
Coordenadora do núcleo de doenças e agravos não-transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde, Mariza Grimmer informou que cartazes e material informativo serão distribuídos a diversos municípios do Estado, que promovem campanhas preventivas contra o cigarro amanhã. No Rio, entretanto, as celebrações resumem-se a iniciativas isoladas e à Corrida contra o Câncer de Mama, no Aterro.
Segundo Mariza, a maioria dos cartazes traz o Cambito, personagem criado há dois anos numa parceria com a ong Viva Rio.
- A intenção é voltar a campanha para jovens que ainda não começaram a fumar. Além disso, os adolescentes acabam influenciando seus pais - explica Mariza.
Uma pesquisa realizada pelo Inca com estudantes entre 13 e 15 anos, ao longo dos dois últimos anos em 11 capitais brasileiras, revelou que mais de 50% dos entrevistados experimentaram cigarro ainda bem jovens. Em Porto Alegre, Vitória, Goiânia e Boa Vista, aproximadamente 70% dos jovens fumaram com 13 anos ou menos e em Curitiba a experimentação precoce chega a quase 80%. Apesar de o Rio não está entre as capitais analisadas, o Inca chama atenção para o fato de que a prevalência de tabagismo entre jovens das regiões Sudeste e Sul é maior do que das regiões Norte e Nordeste.
O ex-fumante José Carlos Marques Carneiro, 58, que hoje empresta sua imagem a uma das fotos estampadas nos maços de cigarro, também volta sua atenção para as crianças e adolescentes. Depois de fumar por 23 anos, José Carlos só conseguiu livrar-se do tabagismo após perder as duas pernas. Ele sofreu de uma doença causada pela nicotina e teve de amputá-las antes de completar 40 anos.
- Quando dou palestras em escolas, falo para as crianças alertarem os seus pais sobre o risco de lhes acontecer o que houve comigo. E aconselho eles a se afastarem quando os parentes acendem os cigarros - orienta José Carlos.
Sua imagem é usada em cartazes que a Secretaria Estadual de Saúde está distribuindo. Mariza explica que o objetivo é justamente criar impacto entre os fumantes que têm dificuldades em largar o cigarro.
O diretor-geral do Inca, José Gomes Temporão, ressaltou o resultado positivo de campanhas anti-tabagismo. Em pesquisas domiciliares feitas em 16 capitais, foi constatado que 18,8% da população é fumante, enquanto que em 1989 este percentual era de 32%. No Rio, o número de fumantes regulares vem se reduzindo rapidamente. Em 1989, a prevalência na cidade foi estimada em cerca de 30% e este ano ficou em 17,5%.