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Crime deixa internautas de luto

Jornalista morto segunda-feira é enterrado sob comoção; polícia diz ter duas testemunhas

Waleska Borges e Natasha Neri

A polícia já tem duas testemunhas do assassinato do jornalista Fernando Villela de Andrade Neto, 30 anos, diretor de conteúdo do portal Blah, da companhia de celulares Tim, mais conhecido como Fervil. Ele foi morto na noite de segunda-feira com um tiro no peito, no Santo Cristo, quando dirigia seu Peugeot 206. O jornalista voltava do trabalho, na Praça Mauá, para sua casa, em Laranjeiras.

A delegada Evanora Gomes de Moraes, da 4ªDP (Central), suspeita que o jornalista tenha sido vítima de tentativa de assalto. Fervil teria sido abordado, próximo de um sinal luminoso, por um homem armado em uma moto. Segundo a delegada, o jornalista, que estava com o vidro do carro fechado, tentou sair com o veículo e foi baleado. O carro seguiu desgovernado por alguns metros até parar em frente a uma árvore na contramão.

- Pelas circunstâncias do crime, a primeira hipótese é tentativa de roubo. Foi feito apenas um disparo. Um assassino teria atirado mais uma vez - explica Evanora.

Cerca de 60 pessoas acompanharam o sepultamento de Fervil no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na manhã de ontem. Amigos, familiares e admiradores lamentaram mais uma perda causada pela violência urbana. Segundo um parente, que não quis se identificar, a família do jornalista está abalada e pretende mudar-se do Rio. Fernando era o filho mais velho e tinha duas irmãs.

- Ele era um menino cheio de vida e muito ligado à família. Naquela noite conversou com o pai pelo celular, por volta das 19h30, pouco antes do crime - lamenta.

A família do jornalista foi avisada da morte por policiais militares. Durante o enterro, a mãe de Fernando chegou a dizer que não pretende acompanhar as investigações.

- Ela não quer saber do assassino porque nada vai trazer o filho dela de volta - comentou o parente.

Precursor da internet no Brasil, Villela conquistou admiradores e amigos internautas ao londo de sua trajetória. A jornalista Cora Rónai tornou-se muito próxima virtualmente de Villela, através de conversas no ICQ e da troca constante de e-mails. Para Cora, ele tinha um sexto sentido em relação à internet e à telefonia móvel.

- Ele tinha uma antena que ninguém tem, e sabia sempre qual direção tomar. O mais triste foi ele ter morrido de uma forma tão violenta. Foi um trago amargo. Não podemos mais usufruir das maravilhas da nossa cidade - criticou.

O amigo e colega de trabalho Hiro Kozaka, 30 anos, ressaltou que Fervil adorava a vida e o trabalho.

- A gente está acostumado a ver a violência por meio de estatísticas. De repente, chega a alguém próximo da gente. Parei para reavaliar minha vida depois disso, se vale a pena morar no Rio - disse.

Em seu site pessoal, http://fervil.blogspot.com, o jornalista fazia planos, quatro dias antes da morte: ''O que não dá é para ficar adiando eternamente nossas vontades, esperando 'um dia' chegar (...) A vida, renovada, não tem limites''.


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[28/JUL/2004]


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