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Cariocas reprovam hospitais

Pesquisa do Instituto Gerp mostra que 42% dos moradores do Rio classificam o setor como o pior serviço

Michel Alecrim

Lucas Van De Beuque

Aparecida peregrinou por hospitais da Zona Oeste em busca de raios-x: falta de equipamentos preocupa

A pesquisa Opinião do Rio revela que a saúde é o pior serviço público na avaliação dos cariocas. O setor foi citado por 42% dos entrevistados pelo , realizada pelo Instituto Gerp, na pesquisa publicada pelo Jornal do Brasil . O percentual fica bem acima dos itens que ficaram em segundo lugar: telefone, delegacias e Justiça, todos com 8% das citações. As autoridades do setor reconhecem que há uma crise e apontam saídas para o problema.

O Gerp ouviu 400 moradores do Rio, com mais de 16 anos, entre os dias 19 e 22 deste mês. Foram entrevistados homens e mulheres em todas as regiões da cidade, com diferentes níveis de renda e escolaridade.

A pesquisa perguntou como o carioca avalia os hospitais públicos e os postos de saúde. Apenas 5% classificaram o serviço como ótimo. Para 23%, o atendimento é bom. Dos entrevistados, 32% disseram que é regular, 17% ruim e 23% péssimo.

Dezoito por cento dos entrevistados disseram que não gostariam de ser atendidos em nenhum hospital público, em caso de acidente. O Hospital Municipal Miguel Couto é o preferido para 13%, enquanto que o Souza Aguiar, da mesma rede, é citado por 8%. Os hospitais federais do Fundão e de Bonsucesso e o estadual Rocha Faria e o municipal Salgado Filho foram lembrados por 5% dos ouvidos.

Para 27% dos entrevistados, a rede municipal é a melhor entre os hospitais públicos. Esse índice é de 15% para os federais e de 8% para os estaduais. Segundo 30% dos ouvidos, não há diferença entre as redes.

Para o vice-presidente da Comissão de Saúde da Alerj, Paulo Pinheiro (PT), que visitou unidades das três redes públicas, o resultado não é surpreendente. Além da falta de articulação das três esferas de poder, há pouca atenção à saúde básica, como postos de saúde e médico da família.

- Os hospitais municipais receberam melhor avaliação porque têm profissionais mais bem preparados, mas a prefeitura falha na assistência básica - diz o deputado.

Para Fernando Gusmão (PCdoB), membro da CPI da Saúde da Câmara de Vereadores, a pesquisa pode refletir uma crise mais recente, que vem se agravando desde o ano passado. Segundo ele, a saúde é o pior serviço avaliado pela importância que tem para as pessoas.

O secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, não concorda com a avaliação de que a saúde básica na cidade seja crítica. Segundo ele, até o fim do ano serão inaugurados 40 novos postos de saúde da família.

- Não dá para comparar o Rio com cidades pequenas. Aqui recebemos muitos doentes de outros municípios - diz.

O superintendente de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Adelino Simões, que administra a rede hospitalar com a pior avaliação, reconhece que as unidades estão longe do ideal mas diz que a situação está melhorando. Segundo ele, até o fim do ano serão abertos 300 novos leitos e equipamentos serão comprados.

O assessor do Ministério da Saúde Antônio Mendes diz que o governo federal está preocupado com a situação do Rio. Cinco hospitais da cidade receberão investimentos em suas emergências e um programa de atendimento móvel, com 74 ambulâncias, estaria prestes a ser implantado.


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[30/JUN/2004]


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