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Polícia prende máfia dos gabaritos

Grupo cobrava até R$ 15 mil de candidatos e usava superdotados, que passavam resultados de provas por pagers e celulares

Hugo Marques

André Lobo

Documento da Polícia Federal mostra que Jorge Nascimento Dutra atua em fraudes nos vestibulares

BRASÍLIA - A Polícia Federal prendeu uma quadrilha especializada em fraudar vestibulares e concursos públicos. O grupo fraudou vestibulares de medicina em pelo menos três universidades do Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, Universidade Iguaçu (Unig), em Itaperuna, e Centro de Ensino Superior de Volta Redonda (Cesvre). As escutas telefônicas revelaram que a quadrilha teria fraudado também o vestibular da UFRJ. Ao todo, foram presas 12 pessoas esta semana, incluindo alunos e pais.

O esquema favorecia quem se dispunha a pagar até R$ 15 mil para ter acesso aos gabaritos das provas. Os resultados eram repassados pelo mostrador de relógio, onde a quadrilha instalava pagers e receptores de rádio. Em algumas provas também foram usados telefones celulares. Os bandidos infiltravam pessoas superdotadas nos vestibulares, obtinham rapidamente os gabaritos das provas e repassavam para os vestibulandos durante as provas.

A investigação que levou os policiais até os líderes do esquema de fraudes durou dois anos. Os bandidos começaram a agir no Acre e rapidamente levaram sua tática de ação para o Rio. Um dos cabeças da quadrilha foi identificado como Jorge Nascimento Dutra, empresário de Anápolis (GO). Ele escapou do cerco montado pela PF na segunda-feira e está sendo procurado em todo o país.

A companheira de Jorge, a romena Ioana Rusei Dutra, foi presa na segunda-feira em Brasília e, segundo a PF, confessou ser uma das líderes do bando. Superdotada, Ioana se inscrevia nos vestibulares de medicina para repassar as informações para os comparsas.

Ioana afirmou ter atuado nos vestibulares da Gama Filho, Cesvre e Unig, no Rio. Também confessou ter feito o mesmo esquema nos vestibulares da Universidade Federal do Acre (AC), Escola de Medicina Santa Casa de Vitória (ES), Univale (PR), Itapc de Araguaína (TO) e Unipac de Barbacena (MG). Nas escutas telefônicas, os bandidos fazem menção ao vestibular da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista (SP).

Pelo menos cinco pessoas faziam o trabalho de arregimentar alunos para vender provas pelo país. A quadrilha também trazia vestibulandos do Paraguai e da Bolívia para os vestibulares no Rio e em São Paulo.

Além das universidades, a quadrilha se preparava para fraudar o concurso da Polícia Civil em Brasília e o do Tribunal Regional Eleitoral do Acre. As escutas feitas pela PF mostraram a ousadia dos envolvidos na fraude. Os bandidos planejavam fraudar o concurso para agentes administrativos da própria Polícia Federal, que será realizado em outubro.

A ação incluía um treinamento para as equipes de pilotos (como estão sendo chamados os responsáveis pela resolução das questões das provas). Um destes treinamentos estava planejado durante a fraude de um concurso para o Tribunal Regional de Alagoas.

Os vestibulandos cooptados pela quadrilha eram instruídos a se hospedarem em hotéis próximos das universidades e das instituições onde seriam realizados os concursos. Os candidatos eram instruídos a ficar com os celulares ligados durante a realização das provas para receberem a cola eletrônica.

Em uma das escutas telefônicas feitas este mês, um bandido da quadrilha acerta o preço com um intermediário interessado no vestibular da Gama Filho. Os bandidos ganharam tanto dinheiro com o negócio que compraram carros de alto luxo, como Mercedes-Benz, BMW e Mitsubishi Pajero.


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[24/JUN/2004]


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