Membros da Comissão Internacional para a Reforma Policial na Democracia divulgaram ontem, durante seminário realizado na Universidade Candido Mendes, no Centro do Rio, o relatório
Polícia na América do Sul: A reforma na democracia. Além de ampla análise sobre a situação das corporações, o documento aponta oito recomendações para uma profunda reestruturação da polícia na região.
O relatório foi apresentado pelo chileno Hugo Frühling, especialista em segurança no Chile e coordenador do trabalho. Em entrevista ao JB na segunda-feira, o chileno defendeu a integração das polícias civil e militar e a instalação de uma comissão externa para controlar a atividades dos efetivos .
Composta por integrantes de diversos países da América Latina, entre eles a socióloga e ex-ouvidora de Polícia Julita Lemgruber, a comissão apresentou o relatório no Brasil após tê-lo divulgado no Peru e na Guatemala, no início do ano.
Na avaliação de Julita, uma reforma policial sustentável se dá, primeiramente, dentro da própria corporação. A socióloga, que também é diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), defendeu mais liberdade para os policiais de baixa patente, que, segundo ela, são impedidos de contribuir com boas idéias, devido à hierarquia.
- É preciso que a polícia se abra e dê voz aos seus integrantes. A reforma deve ser discutida não só entre os coronéis, mas também entre aqueles que estão nas ruas, vivendo a violência do dia a dia - defendeu a diretora do Cesec.
O deputado estadual Carlos Minc (PT/RJ), autor de algumas leis sobre segurança, participou do seminário e afirmou que vai encaminhar o relatório à Comissão de Segurança da Câmara e à Secretaria Estadual de Segurança Pública.