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Prefeitura é processada

Promotores exigem obras no centro cirúrgico

O Ministério Público (MP) estadual vai entrar com uma ação civil pública contra o município do Rio, exigindo a retomada das obras no centro cirúrgico do Hospital do Andaraí. A ação, que será impetrada pela promotora Gláucia Santana, baseia-se num relatório do Conselho Regional de Medicina (Cremerj) que indica uma série de irregularidades na unidade, como falta de equipamentos e péssimas condições de limpeza. Profissionais denunciam que só cinco das 12 salas cirúrgicas estão funcionando e que mais de 2 mil pacientes esperam para operar.

O relatório foi feito no mesmo dia em que a promotora e o juiz Carlos Gustavo Vianna Direito, da 9ª Vara de Fazenda Pública, realizaram uma inspeção no Andaraí. No documento, é denunciado o risco de contaminação no centro cirúrgico e na sala de expurgo, onde há cruzamento de material estéril com contaminado; e na sala de preparo de materiais, onde os funcionários não usavam luvas. Foram constatados problemas com iluminação - na sala 7, os focos estão com lâmpadas antigas -, fios desencapados no corredor e ausência de um aparelho de ventilação pulmonar na recuperação pós-anestésica.

Se a ação for deferida, o município poderá pagar multa diária de cerca de R$ 20 mil se atrasar a retomada das obras.

- Alguma coisa tem que ser feita de emergencial - afirma Diogo Sampaio, presidente da Associação de Residentes do Andaraí, que desde o dia 14 estão em greve.

Ontem, os residentes e o Sindicato dos Médicos fizeram uma manifestação em frente ao hospital. Integrante da CPI da Saúde, o vereador Edson Santos (PT), que esteve no protesto, vai pedir uma audiência com o secretário municipal de Saúde, Mauro Marzochi, para saber o que houve com as verbas federais que financiam as obras. Segundo Diogo, os residentes tinham uma reunião com a diretora Sara Asenjo, que não os recebeu ''porque não havia clima para isso''.

A presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo, disse que as más condições de trabalho não se restringem ao Andaraí. Segundo ela, houve 25% de cortes nos contratos de manutenção nas unidades municipais e já há 47 procedimentos de averiguação no MP.

- Queremos firmar um termo de ajustamento de conduta para reverter a situação nestas unidades - diz Márcia.

Além dos 62 residentes do Andaraí, cerca de outros 600 aderiram à paralisação ontem. O secretário Marzochi não foi encontrado ontem à noite para comentar as denúncias.


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[27/ABR/2004]


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