Laudo da Justiça sobre efeitos do acidente detectam grande redução da fauna marinha
Para o cálculo do lucro cessante, pedido pelo juiz Rogério de Souza Oliveira, da 20ª Vara Cível do Tribunal de Justiça, o perito judicial relacionou a incidência atual com a sugerida antes do acidente - utilizando informações de cientistas, ambientalistas e pescadores. Verificou-se uma queda de até 95% em espécies como a sardinha maromba e a anchova. O número de camarões do tipo verger caiu 90%. Devido ao grande prejuízo sofrido pelos manguezais, a queda na incidência de caranguejos foi de 96% (ver quadro ao lado).
Fazer a recontagem do que foi perdido e do que permaneceu é uma urgência, na opinião do ambientalista Sérgio Ricardo de Lima, ex-integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente e ex-secretário-executivo da Associação Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (Apedema). Para isso, ele, que é morador da Ilha do Governador e vê de perto o drama dos pescadores de Tubiacanga, encaminhou oficialmente no mês passado ao Ministério do Meio Ambiente e à Secretaria Nacional da Pesca a proposta de realização do primeiro censo pesqueiro da Baía de Guanabara. Para ser feito o quanto antes, diz ele.
- A grande verdade é que não há números. Ninguém sabe no Brasil quantos pescadores artesanais trabalham e o quanto eles produzem - diz Sérgio Ricardo, que denunciou esta semana ao Jornal do Brasil que, devido à queda nas vendas e do desaparecimento de grande parte do pescado, as colônias como a de Tubiacanga estão se favelizando.
- As colônias estão sem saneamento básico, e estão ficando descaracterizadas. A maioria precisa de um cais, de material para fabricação e remendo de redes, de fornecimento de gelo. Falta muito. E o crescimento é desordenado - revela Sérgio.
De fato, segundo números levantados pelo ambientalista, a colônia de Tubiacanga, por exemplo, que tinha 460 moradores em 2002, hoje tem mais de 530, um número expressivo em se tratando de uma colônia de pescadores.
O perito desenvolveu uma tabela que mostra as razões do empobrecimento dos pescadores - uma tabela que está diretamente relacionada com a diminuição abrupta da fauna marinha, tanto na baía quanto nos manguezais que a contornam.
Nos meses de janeiro a maio de 1999, a média de peixes capturados foi de 4.059 kg. Já depois do vazamento, no mesmo período, a média caiu para 1.195kg.
- A proposta do censo pesqueiro é uma forma de avaliar melhor todo esse prejuízo. A proposta foi bem aceita, tanto pela ministra Marina Silva quanto pelo gerente regional do ministério, Jayme Tavares - diz Sérgio Ricardo.