Estudante tenta defender namorada e é atacado. Seguranças expulsam vítima em vez dos agressores
No primeiro fim de semana após o acordo entre casas noturnas para impedir a entrada de pitboys, a boate The Cube, no Arpoador, foi o cenário de mais uma briga na madrugada de ontem. Estudante de direito, Daniel Pinheiro Ramos, 22 anos, foi agredido por cinco rapazes ao tentar proteger a namorada, abordada diversas vezes por um dos integrantes do grupo. Apenas um suspeito prestou depoimento na 13ª DP (Copacabana), o restante do grupo não foi identificado. Segundo testemunhas, a boate estava lotada e havia poucos seguranças.
Na boate - antiga B.A.S.E e Mess, na Francisco Otaviano, 20 - a festa Teacher's Visual Parties reuniu centenas de jovens em busca de bebida liberada e diversão. Os participantes, qua pagavam R$ 30, tinham direito a uísque à vontade até 1h30. Por volta das 4h30 começou a briga.
- No meio da festa, cinco rapazes começaram a socar e dar pontapés em um jovem. Dois seguranças tentaram apartar a briga e expulsaram a vítima e a menina que estava com ele. Os agressores continuaram dançando lá dentro. Em nenhum momento a música parou ou as luzes foram acesas - disse L. de 22 anos, que estava na festa e não conhece os envolvidos na briga.
A namorada de Daniel, Gabriela Lorenzoni da Silva, 21 anos, contou que o líder do grupo tentava se aproximar dela há quatro anos, abordando-a em festas e boates, sem obter sucesso. Segundo ela, após a recusa de ontem ele ficou furioso e reuniu seu grupo, começando a agressão.
Após a briga, do lado de fora da boate, Daniel chamou os policiais da 13ª DP (Copacabana) que tentaram localizar os agressores. Apenas um deles foi identificado: João de Freitas.
- Os garotos trocaram as camisas uns com os outros e fugiram pela saída dos fundos da boate. O João foi facilmente reconhecido porque estava com a camisa do líder - contou Daniel.
Segundo Gabriela os seguranças da boate facilitaram a fuga:
- Os seguranças não se preocuparam em expulsar os brigões. Eles disseram que não se envolviam em brigas pessoais. Quando eu estava saindo da boate, um dos agressores gritou que conhecia os seguranças.
Daniel foi levado para o Hospital Miguel Couto com fratura no braço e ferimentos na boca e no nariz. O acusado nega que tenha participado da agressão.
A mãe do acusado declarou que o filho não é um pitboy .
- Meu filho é muito calmo. Já até apanhou de um PM por esbarrar no retrovisor de seu carro. Ele nunca foi acusado de nada - repetia.
Os policiais retornaram à boate mas não encontraram ninguém. Gerente de Marketing da Teacher's, Maurício Gomes, 36 anos, disse que os representantes da empresa não presenciaram o conflito.
- A Teacher's apenas utilizou o local para fazer um evento promocional. A segurança e o controle de entrada e do bar são responsabilidade da boate.
- Os policiais afirmaram que Gabriela não tinha certeza da culpa de João. Na delegacia, pressionada por Daniel, ela confirmou a culpa do acusado. Um inquérito será instaurado para identificar os culpados - disse o delegado Fernando Veloso.