A redução de 75% das cirurgias no Hospital do Andaraí pode acarretar problemas na pós-graduação dos médicos residentes. Preocupados com o sucateamento da unidade, eles temem sofrer danos profissionais. Segundo representantes do serviço de cirurgia geral, eles não estão conseguindo cumprir a carga horária mínima exigida para a formação. A cirurgia geral que operava todos os dias, em dois turnos, está reduzida a apenas duas vezes na semana.
Segundo os residentes, com as obras paradas há seis meses e a falta de material, as salas do centro cirúrgico passaram de 12 para três. Eles denunciam que sofrem com a falta de material. Um dos médicos contou que, por ordem da direção, funcionários do hospital invadiram os quartos dos residentes.
– Eles retiraram dos nossos quartos todas as roupas de cama – contou, indignado, um residente.
Segundo médicos do hospital, o sucateamento vem acontecendo desde que a administração passou do governo federal para a prefeitura.
– Falta instrumentação cirúrgica como pinças. As tesouras são inadequadas e não cortam – queixou-se outro médico.
A situação de caos no hospital foi vivenciada por um cirurgião com 30 anos de experiência na última terça-feira. Ele conta que foi obrigado a operar uma criança de um ano, que tinha lesões de queimaduras graves, com a mesa de cirurgia empenada. A criança tinha queimaduras no rosto, couro cabeludo, tórax e abdome.
– A mesa empenou na altura máxima e tinha um vazamento de óleo ininterrupto – lembra o médico.
De acordo com o médico, a cirurgia que começou por volta das 8h terminou às 15h. O tempo previsto para a operação não ultrapassava uma hora. Entre os imprevistos, o médico lembra que os focos cirúrgico – que iluminam o local da cirurgia – apresentavam defeito.