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Blocos de rua esquentam o pré-carnaval

Monobloco dá partida nos ensaios

Natasha Neri

Especial para o JB

Fernando Rabelo
Monobloco

Monobloco: campeão de público não teme multidão no desfile

A quatro semanas do carnaval, o Rio respira samba. De segunda a segunda, ensaios de blocos e escolas de samba põem foliões de todas as gerações para esquentar tamborins em clubes, bares, quadras e até restaurantes da cidade. O esquenta ganhou força na última sexta-feira, quando o Monobloco, o mais badalado da nova leva de blocos, deu a partida nos ensaios na Fundição Progresso, na Lapa.

Meu Bem Volto Já, Carmelitas, Simpatia, Vem Ni Mim Que Eu Sou Facinha, Cordão Literário Carnavalesco, Quem Não Güenta Não Bebe e Clube do Samba também arregaçaram as mangas. Hoje, começam os ensaios do Segura Para Não Cair, em Vila Isabel, e, nas próximas duas semanas, será a vez do Suvaco do Cristo, Imprensa que Eu Gamo e Escravos da Mauá.

- Amo sair nos blocos e vou a todos os ensaios. Nesta época do ano, o Rio fica com uma cara bem mais divertida - diz a estudante Manoela Campos, 22 anos, que prefere sambas tradicionais, como Barbas e Escravos de Mauá.

- Fui criado na folia. Ia para os blocos no cangote do meu pai. Além de freqüentar mais de cinco blocos, eu e meus amigos criamos um, no ano passado - conta o estudante Diego Trapa, 24 anos, referindo-se ao Esse É o Bom Mas Ninguém Sabe, que ensaia na Quadra dos Guararapes, no Cosme Velho.

Este ano, quem conferiu o primeiro ensaio do bloco campeão de público - no último carnaval ele levou 100 mil foliões à orla - encontrou um Monobloco mais enxuto, com 130 percussionistas, em vez de 170. Segundo o músico Pedro Luis, a banda preparou arranjos mais sofisticados e investiu na qualidade da bateria.

- Organizamos uma oficina de maio a dezembro para preparar todos os batuqueiros. As músicas deste ano têm um apuro técnico muito maior - revela Pedro Luis, um dos fundadores do Monobloco.

Quem prefere evitar multidões e empurra-empurra pode optar pela tradicional roda do Clube do Samba, às quintas-feiras, no restaurante Severyna, ou às sextas-feiras, na Praça Maracanã. Fundado por João Nogueira há 25 anos, o bloco atrai foliões de todas as idades.

- Não faltei a nenhum desfile. Se meus netos não me levam, vou sozinha mesmo - garante a viúva do compositor Donga, Vó Maria, 92 anos, que solta a voz nos ensaios.

O Simpatia É Quase Amor, que comemora 20 anos de samba, está fazendo seus ensaios no Clube dos Democráticos, Centro do Rio. Segundo o diretor Henrique Brandão, é impossível encontrar um local compatível na Zona Sul.

- O Clube Condomínio (no Horto) era o único local em que cabia mais gente, mas virou um campo e futebol - diz Brandão.


[25/JAN/2004]


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