Terminado o prazo dado pela juíza federal substituta Adriana Barreto de Carvalho Rizzoto, da 22ª Vara federal do Rio, para que o governo do Estado voltasse a investir no Instituto de Assistência aos Servidores do Estado (Iaserj), o problema de abastecimento do hospital ainda não foi resolvido. A multa de R$ 10 mil, que teria que ser paga pelo Estado, também não está valendo, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.
De acordo com o órgão, essa punição - pedida pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) - não é válida, já que as irregularidades e o desabastecimento que motivaram o pedido dessa liminar ocorreram em agosto, logo que a Saúde assumiu o hospital, que era de responsabilidade da Secretaria de Administração.
- Essa ação está parada porque estamos apresentando documentos que provam que essa liminar foi pedida há quatro meses. De lá para cá o cenário mudou muito: foram comprados mais de R$ 2 milhões em medicamentos, a urgência e a emergência foram reabertas e outras melhorias foram feitas. Fazemos compras permanentemente e os insumos que estão em falta serão enviados ao hospital. Nós comunicamos tudo isso à Justiça e o caso está sendo reavaliado - informou a assessoria de imprensa.
Apesar do investimento anunciado pelo governo do Estado, a Associação de Funcionários do hospital (Afiaserj) garante que falta de tudo no Iaserj, inclusive materiais básicos como algodão, seringas, gaze e esparadrapo.
- O Estado deu uma enganada, trazendo algumas coisas emprestadas nos primeiros dias. A situação continua a mesma e, pelo visto, não tem como melhorar. Já apresentamos um projeto de autogestão, em que os funcionários públicos pagariam uma taxa que daria autonomia financeira ao Iaserj mas, como a governadora Rosinha Matheus iria perder poder com isso, nossa proposta foi negada - criticou um funcionário e membro da associação, que preferiu não se identificar.
O presidente do Cofen, Gilberto Linhares, foi procurado pelo Jornal do Brasil, mas os funcionários estão em férias coletivas. A juíza responsável pela liminar também não foi encontrada.
Os servidores da Afiaserj também denunciam que parte da verba do hospital está sendo usada para o pagamento das contas de celulares e aluguel de carro e motorista usados pela diretoria do Iaserj e por diretores da Secretaria de Saúde. A assessoria do Estado nega as acusações e garante que apenas os telefones e carros oficiais usados pelos administradores do hospital entram no orçamento do Iaserj, já que são despesas da própria instituição.
Em agosto, os médicos do Iaserj decretaram estado de calamidade e fecharam setores fundamentais como emergência, centro cirúrgico e maternidade. Para o ano que vem, o instituto teve a verba reduzida em quase R$ 25 milhões no orçamento.