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Prefeituras não têm projetos
Baixada foi ocupada de forma desordenada e não é apropriada para residências
Florença Mazza
[03/DEZ/2003]
Quatro dias após o início do temporal que causou nove mortes e deixou cerca de 2.400 desalojados no Estado, as prefeituras dos municípios da Baixada Fluminense, uma das áreas mais castigadas pelas chuvas, distribuem alimentos e cobertores à população desabrigada. A despeito das ações emergenciais, não têm definidos projetos a médio e longo prazo para reduzir os riscos de inundações em novas tempestades. Entre as ações que ainda engatinham - e dependem da liberação dos R$ 8 milhões prometidos pelo Ministério das Cidades - está a construção de novas casas, como anunciaram os prefeitos de São João de Meriti, Antônio de Carvalho, e de Belford Roxo, Waldir Zito. O que é apontado como solução, pode representar, na verdade, novos problemas para a Baixada:
- Esta é uma área destinada à agricultura, mas não a residências. A Baixada, como o próprio nome indica, está abaixo do nível dos rios. As prefeituras sabem as áreas em que não se pode construir - explica o presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), Ícaro Moreno Junior.
Secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Nova Iguaçu, Vicente Loureiro admite que as ações das prefeituras locais são paliativas.
- Não adianta limparmos se continua o desmatamento. São necessárias mudanças estruturais, que fogem do dia-a-dia das prefeituras - justifica Loureiro, acrescentando que a solução seria a implantação do plano de macrodrenagem, desenvolvido pela Coppe/UFRJ, em 1996.
O plano, cujo objeto principal era evitar as inundações na Baixada, previa cerca de 100 intervenções na região. Entre elas, estava a criação de reservatórios-pulmões para armazenar a água em caso de chuva forte e evitar as enchentes.
- Seja por falta de verba ou de vontade, o plano não foi implantado. Desde aquela época, estes reservatórios foram ocupados por casas e as prefeituras não são rígidas no controle - afirma Jander Duarte Campos, pesquisador da Coppe e integrante da equipe que desenvolveu o plano diretor.
O problema das enchentes é velho conhecido da dona-de-casa Hilda Prado, 55 anos, moradora de Caxias há 25. Ela e os vizinhos do bairro Capivari estavam cavando buracos nas ruas para a água escoar.
- Não temos saneamento básico. Todo ano é isso: chega o verão e perdemos tudo - conta.
O prefeito de Caxias, José Zito disse que desde segunda-feira a prefeitura está limpando canais do município.
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