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Baixada e interior atolam na omissão

Dinheiro prometido em 2001 ainda não foi liberado. Municípios não apresentam projetos de drenagem e recuperação

Florença Mazza

Gabriel Jauregui

Rua alagada em Cangulo, em Duque de Caxias

A chuva que matou oito pessoas e deixou 1.786 desalojados na Baixada e no interior do Estado expôs a desorganização das prefeituras e dos governos federal e estadual na prevenção e combate aos efeitos das enchentes e deslizamentos. Na reunião com prefeitos da Baixada Fluminense, uma das regiões mais atingidas, o vice-governador e secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, anunciou a liberação de R$ 1 milhão em verbas do Estado e assumiu o compromisso de conseguir, com o governo federal, mais R$ 20 milhões - R$ 12 milhões para completar o plano de macrodrenagem da Baixada e R$ 8 milhões para reconstrução das casas atingidas. O dinheiro, porém, deve demorar a chegar.

Prefeito de São João de Meriti, Antônio de Carvalho cobrou o repasse de verbas prometidas pelo governo federal para os estragos causados pelas chuvas em 2001 e no ano passado.

- Cerca de R$ 10 milhões tinham sido prometidos para os municípios da Baixada por causa das chuvas dos últimos dois anos. Até agora essa verba não veio - protestou Carvalho.

O prefeito José Camilo Zito, de Duque de Caxias, um dos municípios mais atingidos pelas chuvas do fim de semana, deixou a reunião no Palácio Guanabara 10 minutos antes do fim e saiu desapontado.

- Há anos as chuvas causam estragos, mas nada é feito pelo Estado e pelo governo federal - criticou.

Para o presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), Ícaro Moreno Júnior, parte da demora se deve a deficiências nas prefeituras.

- Os municípios solicitam verbas à União e ao Estado. Uma das exigências é que aprovem os projetos na Serla, o que em geral não é feito. Fui ao Ministério da Integração há duas semanas e técnicos informaram que recebem projetos sem pé nem cabeça, o que impede a liberação da verba.

Ao fim da reunião com Conde, os integrantes da reunião anunciaram que vão a Brasília para cobrar a liberação de verbas para recuperar os estragos causados pela chuva do fim de semana. Participaram da reunião, além dos prefeitos Zito e Carvalho, Narriman Zito (Magé), Waldir Zito (Belford Roxo), André Siciliano (Paracambi), Carlos Moraes (Japeri) e o secretário de Meio Ambiente e urbanismo de Nova Iguaçu, Vicente Loureiro.

Orçado em R$ 42 milhões, o plano de macrodrenagem da Baixada Fluminense, iniciado em fevereiro, recebeu, até agora, R$ 10 milhões do governo do Estado, que já tem garantidos R$ 20 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo de Conde é conseguir, com o ministro da Integração, Ciro Gomes, os R$ 12 milhões restantes. O ministro das Cidades, Olívio Dutra, anunciou, no fim de semana, a liberação de R$ 8 milhões até o fim do ano para a reconstrução das casas atingidas pelas enchentes e deslizamentos no Estado.

Ao fim da reunião no Palácio Guanabara, ficou acertado que os prefeitos dos municípios atingidos pela chuva enviarão ao governo do Estado uma lista dos itens de que necessitam. Segundo Conde, a Cedae aumentou a pressão de todo o sistema da Baixada Fluminense para evitar a contaminação da água com impurezas da enchente. A verba adicional de R$ 1 milhão liberada pelo governo do Estado será destinada a mutirões remunerados de limpeza das áreas mais afetadas.

O corpo de um homem de 34 anos - que os bombeiros acreditam ser da pessoa que estava desaparecido desde domingo - foi encontrado ontem, por volta das 10h, no Rio Botas, altura da Estrada de Santa Bárbara, em Nova Iguaçu.


[02/DEZ/2003]


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