Empresa teria transportado durante a madrugada rejeitos de metais pesados para área próxima a seu terreno, em Itaguaí
Principal acusada pelo desastre ambiental que atinge seu terreno, em Itaguaí, às margens da Baía de Sepetiba, a Companhia Mercantil Industrial Ingá pode ser responsabilizada por mais um crime contra o meio ambiente. O Ministério Público Federal e a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) investigam a remoção ilegal de rejeitos de metais pesados do terreno da empresa para uma área próxima. A Justiça Federal já pediu auxílio à Polícia Federal para impedir que novas remoções sejam feitas. Por isso, agentes da PF vão vigiar a sede da Ingá a partir de hoje.
A Feema já recolheu amostras dos resíduos químicos na área ao lado da empresa. Técnicos que estiveram no local para recolher o material acreditam que os rejeitos saíram da Ingá. Há uma semana, denúncias chegaram ao MP federal informando que caminhões estariam saindo da empresa durante a noite e a madrugada, em direção ao terreno onde foi encontrado um novo amontoado de resíduos tóxicos. Na sede da Ingá, 3 milhões de toneladas de metais pesados ameaçam vazar de um dique para a Baía de Sepetiba. O laudo da Feema deve sair em seis dias.
A juíza da 7ª Vara Federal Cível, Salete Maccalóz, que determinou a interdição do terreno e solicitou ajuda à PF, disse que a remoção irregular, caso seja comprovada, deverá agravar ainda mais a situação dos responsáveis pela empresa no processo que tramita na 3ª Vara Federal Criminal. A juíza, que considera a situação na região uma catástrofe ambiental, voltou a mostrar preocupação com o nível de contaminação dos rejeitos.
Ela lembrou que operários da Prefeitura de Itaguaí apresentaram feridas no corpo e sangramento na boca três dias após iniciarem obras no contorno do terreno.
As obras emergenciais no dique da Ingá, onde está parte dos resíduos, só devem começar segunda-feira. Após reunião com a juíza Salete Maccalóz e representantes dos MPs estadual e federal, o governo estadual foi autorizado a assumir os trabalhos emergenciais. Hoje, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano deve definir qual empresa realizará a obra, orçada em R$ 2,3 milhões.
A previsão da secretaria era de que o início da ação ocorresse antes do prazo de 72 horas. Mas, como a empresa responsável só será escolhida hoje e os operários não trabalham no fim de semana, os reparos só começarão segunda-feira. Ontem, trabalhadores da Prefeitura de Itaguaí continuavam as reformas na estação de tratamento, o que evitará que mais resíduos cheguem ao dique já saturado.