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Pratos vazios no Natal Sem Fome

''Nos anos anteriores, produzíamos mesas fartas e a classe média era quem comia'', explica Daniel de Souza, filho de Betinho

Joana Dale

Especial para o JB

João Paulo Engelbrecht
Escultura

A escultura (ao lado), criada especialmente para a inauguração da campanha, foi preenchida pelos pratos e recipientes vazios que estavam na mesa de um quilômetro de extensão, ontem, no Aterro

Pratos e panelas vazios numa mesa de um quilômetro de extensão marcaram o lançamento da 11ª edição do Natal Sem Fome no Rio. A abertura nacional da campanha foi ontem de manhã, no Aterro do Flamengo, marcada por sol forte e roteiro repleto de programações. O evento de inclusão social arrecada alimentos não perecíveis para serem distribuídos para a ceia de Natal de famílias carentes.

- Nos anos anteriores, produzíamos mesas fartas e a classe média era quem comia. Desta vez, estamos mostrando a realidade de quem precisa de verdade, com mais vontade e esperança. É o maior de todos os anos - disse Daniel de Souza, filho de Herbert de Souza, o Betinho, idealizador do Natal Sem Fome.

Desde 1993, já foram obtidos mais de 19 mil toneladas de alimentos.

- Através das panelas e pratos vazios quisemos simbolizar a realidade dos 50 milhões de brasileiros que passam fome no país. Hoje (ontem) é só o ponto de partida para superar as seis mil toneladas de alimentos que arrecadamos ano passado - explicou Mauricio Andrade, coordenador-geral do movimento Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria.

A mesa foi dividida em 28 partes, entre grupos de associações comunitárias e empresas privadas, decoradas por pratos e panelas variados e coloridos, de plástico, louça e alumínio. A primeira parte, com 40 metros de extensão, representava o Brasil. E as outras 27, com 20 metros de comprimento cada, os Estados e o Distrito Federal.

A tenda da Ação da Cidadania estava vendendo quentinhas recheadas com a camiseta da campanha, que também serve como inscrição para a 1ª Corrida Nacional Contra a Fome, que vai ser realizada dia 30 de novembro.

- Temos uma luta de longo prazo. O Natal Sem Fome nunca mais vai parar - observa Rubem Cesar Fernandes, coordenador-geral do Viva Rio.

Na execução do Hino Nacional, às 12h, os participantes se posicionaram em volta da mesa. E o hino ganhou acompanhamento especial: o bate-bate de panelas. No fim, o grito geral: ''Viva o Brasil sem fome''.

Diferentemente dos anos anteriores, após o hino, cada grupo levou seus pratos e panelas, novamente ao som do bate-bate, para encher uma escultura especialmente criada pelo arquiteto Hélio Pellegrino para a campanha. Com forma de globo terrestre, ela foi intitulada de Monumento Contra a Fome no Mundo e ganhou espaço no canteiro do Aterro do Flamengo.

Na tenda do Tribunal de Justiça, o público recebia, gratuitamente, orientação jurídica. Foram feitas mais de 100 consultas, principalmente no ramo do direito familiar. Sobre problemas relativos à área de saúde, foram registradas 500 consultas aos técnicos do TJ.

O evento terminou com show de Jorge Benjor e Banda do Zé Pretinho, na Praia do Flamengo. Até às 18h, já haviam sido recolhidas 140 toneladas de alimentos. Quem quiser colaborar pode se informar sobre os postos de arrecadação pelo telefone 0800-202000 ou pelo site www.acaodacidadania.com.br.


[20/OUT/2003]


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