Perseguição e tiro no peito
No começo de janeiro de 2001, Iraildes Matos de Almeida, 30 anos, estava na frente de casa conversando com a irmã Marlene, quando um tiro de fuzil a atingiu no peito. Ela foi socorrida com rapidez e levada ao Hospital Getúlio Vargas, mas depois de 15 dias na UTI não resistiu.
Marlene conta que a bala atingiu a irmã numa rua perto do 16º BPM (Olaria), onde as duas moravam. A bala perdida teve origem no confronto entre policiais que perseguiam assaltantes.
- Entrei com uma ação contra o Estado, não pelo dinheiro, mas porque queria chamar a atenção das autoridades. A ação ainda não deu em nada, mas continuo lutando - disse Marlene.
Na passeata, ela se recordou do que aconteceu em sua família.
- Já perdemos muita gente. Quantas mais teremos que perder para que as autoridades façam alguma coisa? - indagou.
Bala perdida matou Cíntia
Maria Isabel Rosa Lorival estava na linha de frente da ala dos parentes de vítimas de violência na passeata. Ela trazia pendurado no peito a foto da filha Cíntia Lorival Nobre, 14 anos, que em 29 de novembro do ano passado foi atingida por uma bala perdida em Parada de Lucas.
– Houve um total descaso das autoridades com o caso da minha filha – lamentou Maria Isabel.
Segundo ela, Cintia estava em um ponto de ônibus a caminho da escola, onde a adolescente cursava o 1º ano do Ensino Médio, quando foi atingida por uma bala perdida e morreu na hora. A mãe conta que a bala partiu de uma perseguição policial a um carro roubado.
– Estou aqui hoje não só para lembrar as pessoas do que aconteceu com minha filha, mas também para lutar para que isso não acontece mais – disse.
Morte sem explicação
Rafaela Cristina de Souza, 7 anos, brincava com um grupo de amigas na frente de casa, em Acari, dia 29 de novembro do ano passado, quando foi atingida na cabeça por uma bala perdida. Na passeata de ontem, estavam presentes amigos da família e professores da escola onde ela estudava. Segundo amigos de parentes, a polícia nunca conseguiu descobrir de onde veio a bala que atingiu a criança.
– A polícia disse que não tinha registro de nenhum tiroteio ou perseguição na região – contou a professora Nasira Batista Silva de Lima, vizinha da menina.
A neta de Nasira era a melhor amiga de Rafaela e, segundo a professora, ficou traumatizada com a morte da amiga.
– Foi um absurdo o que aconteceu com a Rafaela. Estamos aqui hoje para que tragédias como essa não voltem a acontecer – disse Nasira.