O risco mudou de lado. O princípio de pânico criado entre banhistas desde que um estudante levou seis pontos num dos dedos da mão direita, quarta-feira passada, em Copacabana, num possível ataque de tubarões, pode levar uma inofensiva espécie um pouco mais perto da extinção. Abatido a pauladas e facadas, sábado, quando nadava perto da areia na Praia da Joatinga, o tubarão da espécie mangona, além de inofensivo estaria esperando filhotes.
Para o promotor de Justiça Ricardo Zouein, especialista em direito ambiental, a ação pode ser considerada criminosa. O artigo 29, da Lei de Crimes Ambientais, prevê pena de detenção de até um ano para quem matar animais da fauna brasileira sem a devida autorização legal. Como o mangona é uma espécie ameaçada de extinção, a pena poderia aumentar em até meio ano.
De acordo com o biólogo marinho, especialista em peixes marinhos, Marcelo Szpilman, o último registro de ataque de tubarão em Copacabana é de 1947 e foi considerado um acidente. Ele explica que no litoral do Rio vivem diversas espécies há milhões de anos e adverte que avistar algumas delas em uma dia com águas claras e quentes, ainda que seja uma curiosidade, não é nenhuma novidade e não representa nenhum tipo de ameaça.