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Saúde: Fora de controle

Simpósio internacional discute soluções para quem não consegue controlar os impulsos e sofre com este distúrbio de comportamento

Camilla Antunes

Especial para o JB

Foto de Bruno Dias / Modelo: Luana Cazolla, da Mega Models
Gastar todo o salário do mês numa tarde de compras  é  sinal de compulsão

Gastar todo o salário do mês numa tarde de compras é sinal de compulsão

No premiado filme Melhor é impossível, Melvin - personagem principal da obra, interpretado por Jack Nicholson - tem atitudes um tanto estranhas para uma pessoa normal: abre e fecha as trancas repetidas vezes e lava as mãos toda vez que toca em pessoas ou objetos. O que o filme não explica é que as manias do personagem não se restringem à ficção. Melvin sofre de transtorno obsessivo compulsivo, conhecido como TOC, exemplo clássico de compulsão que atinge de 2 a 3% da população mundial. Os excessos nos jogos, nas compras, nas drogas e até mesmo no sexo são outros tipos da compulsão patológica. Para discutir formas de prevenção e tratamentos, será realizado no Rio, entre os dias 2 e 5 de novembro, o 10º Simpósio sobre Dependência, Compulsão e Impulsividade.

''A compulsão impede que a pessoa controle seus impulsos. Uma vontade repentina e incontrolável faz com que ela tome algumas atitudes das quais vai se arrepender no futuro. Existem pessoas que perdem apartamentos em bingos ou gastam o salário todo em uma tarde no shopping. Estes são exemplos-símbolos da compulsão'', explica a psiquiatra Analice Gigliotti, coordenadora do serviço de dependência química da Santa Casa de Misericórdia e presidente do simpósio.

Existem vários tipos de transtornos de controle de impulso. Alguns deles são caracterizados pela impulsividade, quando a pessoa age sem pensar, mas ainda possui um relativo controle sobre seus atos, outros, por reações patológicas de compulsão. A psiquiatra Analice diferencia os dois casos com exemplos de pessoas que consomem em excesso.

''O comprador impulsivo consome muito para ser aceito no ambiente em que vive, ficar sempre bem vestido e impressionar os outros. Já o compulsivo, compra por comprar. Desta forma, ele tenta aliviar a ansiedade que sente provocada por problemas pessoais'', esclarece a psiquiatra.

O papel da família na recuperação de um compulsivo patológico não é nada fácil mas fundamental para o tratamento. O ideal é fazer com que o doente sofra com as consequências dos próprios atos, por mais difícil que isto seja. No caso de um jogador compulsivo, por exemplo, a esposa ou os filhos não devem, de forma alguma, arcar com as suas dívidas. O mesmo acontece com os dependentes químicos.

''A família não pode acobertar os erros decorrentes da compulsão. Mas também não deve lidar com eles de forma moralista. É necessário encarar o problema como uma doença em que o maior prejudicado é o próprio doente'', afirma Analice.

Segundo o psiquiatra Willian Berger, do Hospital Barra D'Or, os pais precisam ficar atentos às atitudes dos filhos desde a infância. Muitos compulsivos dão sinais da doença ainda bem pequenos. A falta de limites pode agravar mais ainda a doença, que pode ter conseqüências graves, como ocorre na dependência química.

''A estrutura familiar é muito importante para atenuar os efeitos da patologia. Quando a pessoa tem limites, ela lida melhor com a impulsividade e a compulsão. Os pais precisam passar valores claros e bons exemplos para os seus filhos'', destaca o psiquiatra.

O tratamento pode ser feito com psicoterapia comportamental e farmacologia, através do uso de antidepressivos. Associados ou não, os efeitos dos tratamentos são percebidos a longo prazo. Por isso, paciência e compreensão de todos os envolvidas no problema são essenciais.

CONTATOS:

Simpósio: 2539-1351 ou www.cmeventos.com.br

Agradecimentos a Contacto Assessoria, TNT Assessoria de Estilo e Opção Jeans.


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[29/OUT/2005]


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