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Dicas para uma viagem econômica pela Europa

Especialistas ensinam a poupar o bolso

Aline Duque Erthal

Com a queda do euro, mesmo quem não gosta de gastar muito vem tendo bons motivos para visitar a Europa. Para economizar ainda mais, basta seguir algumas dicas simples - que, garantem os entendidos, chegam a reduzir em até 50% os custos do passeio.

A conta é de Wilson Junior, administrados de empresas que na adolescência resolveu cair no mundo e nunca mais sossegou - já conheceu 61 países e morou na Itália, França, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos:

- Claro que o valor total da viagem vai depender das escolhas individuais, mas dá para curtir tudo e gastando metade do orçamento inicial - afirma.

De tanto lidar com a diferença de câmbio entre o real e outras moedas mais fortes, como dólar e euro, Wilson aprendeu a compensar o que seria o prejuízo economizando durante a viagem. Adotando o lema de descobrir o ''melhor mais barato'', já publicou três livros destinados especificamente para os menos esbanjadores: Paris para pão-duro; Londres para pão-duro; e Hotéis para pão-duro - versão: Europa.

Nas publicações, o autor indica desde hotéis até supermercados com preços mais em conta, além de fornecer dicas preciosas, como a do London Explorer, que oferece bilhetes especiais com descontos para turistas locomoverem-se em Londres.

A economia, porém, como alerta a agente de viagens Silvia Moreira, começa bem antes de pôr o pé na estrada. Vale ficar atento a vôos charters e promoções de baixa estação.

- Quanto maior a antecedência, melhores são as chances de se conseguir passagens aéreas mais baratas. Um bilhete Rio-Paris-Rio, por exemplo, pode sair a menos de US$ 800 quando comprado antecipadamente. Se adquirido em cima da hora, porém, chega a custar US$ 1.200 - diz.

Segundo Silvia, esta é a hora perfeita para se programar a ida à Europa - de preferência, marcando o passeio só para o início de outubro em diante. Explica-se: estamos na época de férias no Velho Continente, e tudo fica lotado por lá. Temporada que se estende até setembro, quando acontecem as principais feiras, congressos e exposições. Mas já dá para ir comprando passagens e reservando hospedagem.

Onde ficar, por sinal, é um ponto importante no manual do pão-duro. Silvia aconselha os albergues - ''baratos, limpos e que funcionam bem'', segundo ela -, especialmente para estudantes. Na França, outra opção é hospedar-se em uma casa de família, prática muito comum no país. A acolhida costuma ser excelente, em residências bem-localizadas e confortáveis. E o melhor: as diárias giram em torno de 50 ou 60 euros, enquanto um hotel não sairia por menos de 100 euros.

Edney Vasconcellos Silva, projetista que rodou a Europa em maio de 2004, tem outra dica:

- Como viajei com a minha namorada grávida e precisávamos de um pouco mais de conforto, preferi não ficar em albergue. Através do site www.ratestogo.com, fiz as reservas e paguei com cartão de crédito os hotéis em que fiquei. Essa página é muito boa porque tem todos os padrões de hotéis e com um preço melhor do que se pagaria no balcão - sugere.

Para quem pretende visitar diversas cidades, outra sugestão valiosa é comprar bilhetes noturnos nos trens e aproveitar o tempo do deslocamento para dormir, economizando uma diária. Mas a idéia só vale para percursos mais longos, como Madri-Paris, que leva cerca de 10 horas para ser percorrido. Já o trajeto Lisboa-Madri, por exemplo, é curto demais para se descansar, durando pouco mais que cinco horas.

Muitas vezes, porém, a melhor escolha não é o trem, mas (por incrível que pareça) o avião. Explica-se: na Europa, há companhias aéreas que operam com tarifas baixíssimas - como inacreditáveis 0,19 libra (!!!)por vôo na promoção de inverno da Ryanair.

Edney foi um dos que trocaram os trilhos pelo céu, na sua viagem do ano passado. E não se arrepende.

- Comprei todos os trechos de que precisava (Barcelona-Paris; Paris-Londres; Londres-Veneza; e Veneza-Barcelona) e paguei só US$ 144, com todas as taxas incluídas. Bem mais barato e rápido do que se eu pegasse trens. O trecho Barcelona-Paris por via terrestre, por exemplo, sairia a US$ 153 e demoraria 11 horas. De avião, eu paguei US$ 23 e levei só duas horas - conta.

O inconveniente dessas companhias aéreas é que as promoções fantásticas dependem da disponibilidade de assentos. Assim, se o turista tiver um roteiro certinho, pode se atrapalhar com a perda de tempo no aeroporto, esperando por um vôo com vagas. Outros pontos negativos: as poltronas não são tão confortáveis e raramente há serviço de bordo. E quando há, é pago.

Na hora de comer, outros truques ajudam a não desfalcar demais o bolso. Silvia aconselha:

- Comer na rua é uma forma de economizar e conhecer um pouco melhor os costumes da população local. Na França, qualquer esquina tem uma carrocinha com baguetes e embutidos. Na Alemanha, são os salsichões; na Grécia, o churrasco típico - enumera a agente de viagens.

Wilson, por sua vez, lembra que muitas hospedarias deixam a cozinha à disposição para quem quiser preparar a própria comida.

Avareza? Que nada: estratégias para fazer as verdinhas renderem o maior número possível de passeios. E para contá-los para a família, um último lembrete: compre cartões telefônicos internacionais. Fica bem mais barato - e menos embaraçoso - que ficar ligando a cobrar. Do hotel, nem pensar! As tarifas são exorbitantes.


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[10/JUL/2005]


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