Embora considerada um destino exótico, a Índia atrai, em média, 2,6 milhões de visitantes estrangeiros por ano e emprega mais de 15 milhões no setor de turismo. Conhecê-la é uma viagem inesquecível, mergulho em uma cultura totalmente diversa da brasileira, cheia de misticismo, história e, principalmente, contrastes.
Superpopulação, trânsito caótico, lixo espalhado por todos os lados. Impossível fechar os olhos para os problemas da Índia. A existência deles, no entanto, acabou transformando-se num modo de selecionar o tipo de turista que visita o país: o que tem a disposição de perceber o que está por trás dessa barreira e se envolver pela magia de lá, numa viagem que vai muito além do Taj Mahal ou Nova Délhi.
Não há dúvidas de que a maior das riquezas do lugar é a cultura: a música clássica indiana, com seus instrumentos regionais - sítara, tampura, tabla, entre outros -, conseguiu atravessar o mundo e despertá-lo para uma nova forma de se ouvir e sentir a melodia; a culinária, com seus condimentos cultivados há milênios, é tipicamente picante e muito saborosa; o artesanato, colorido e exportado para o mundo inteiro; a história, com incontáveis monumentos, fortes, cidades abandonadas e ruínas antigas, com templos que vão desde mesquitas suntuosas a stupas budistas datadas de antes de Cristo; e a religião, que é possivelmente o símbolo mais representativo do país. Mística e heterogênea como o povo indiano, ainda dita fortemente as normas da sociedade.
Uma profusão de deuses é adorada por diferentes segmentos da população, com costumes e rituais diversos. A religião com mais seguidores é o hinduísmo, seguido pelo islamismo e o pelo budismo.
Quanto à população, além de ser a segunda maior do mundo, revela-se muito heterogênea. Há 18 línguas oficiais e mais de mil dialetos, sendo o inglês ainda muito importante na comunicação entre indianos de diferentes regiões e indispensável para qualquer turista.
Com todo esse legado milenar, a Índia mostra-se um país aberto e no caminho do desenvolvimento tecnológico. No entanto, o visitante é completamente exposto ao indiscutível charme místico enraizado no respeitado passado que o país possui.
*Cecilia Guimarães Bastos é turismóloga e mestranda em Ecologia Social