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Cinema: Tango tragicômico
Peretti, Luis Brandoni e Nilda Raggi: abandono
Marco Antonio Barbosa
A boa safra recente de filmes argentinos também comporta produções mais despretensiosas, como este Não é você, sou eu, longa de estréia de Juan Taratuto. O diretor segue os passos do desafortunado Javier (Diego Peretti), que é abandonado inesperadamente pela mulher, Maria (Soledad Villamil), às vésperas de o casal se mudar para Miami. Como era de se esperar, o cara aceita muito mal o rompimento e - sem emprego ou casa para morar - toca a vida adiante aos trancos e barrancos. Trata-se daquele tipo de comédia romântico-existencial que Woody Allen costumava fazer à perfeição, temperada com um humor mais galhofeiro (e meio previsível às vezes). Algumas piadas são telegrafadas ao público com muita antecedência, outras (como as visitas de Javier ao psicanalista) funcionam melhor. Debaixo do tom sentimental do roteiro encontram-se mais uma vez as marcas que a crise econômica imprimiu ao imaginário coletivo da nação - o casal Javier e Maria começa o filme com planos de tentar a vida no exterior por acharem-se sem perspectivas na Argentina atual. Comédia que provoca mais risos compadecidos do que gargalhadas frouxas, Não é você, sou eu se beneficia de seu elenco, puxado pelo narigudo Peretti e por Cecilia Dopazo, também co-autora do roteiro.
[07/ABR/2006]
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