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Cinema: Torres gêmeas em Londres

Natalie Portman e Hugo Weaving: luta contra o totalitarismo

Marco Antonio Barbosa

V de vingança é o filme certo na hora errada. Ou seria o contrário? Redimindo-se do desperdício de celulóide que foram os dois episódios finais da trilogia Matrix, os irmãos Wachowski patrocinaram o impensável - uma versão adulta, coerente e muito fiel da clássica HQ escrita por Alan Moore. O timing da adaptação, e suas ressonâncias com o mundo atual, é que fazem a diferença. Quando Moore criou (em 1989) sua fantasia distópica sobre uma Inglaterra subjugada pelo fascismo, certamente não poderia prever que um filme como este pudesse surgir num momento como este. Um filme que tem um terrorista como (anti)herói! Lutando contra um governo que tira seu poder do medo que incute em seus cidadãos! Imaginem a cara dos traumatizados ianques do pós-11 de Setembro tendo que digerir essas, e muitas outras mais. Para além de qualquer paralelo que possa ser traçado entre a Inglaterra totalitária do filme e os EUA de Bush filho, V de vingança é, antes de ser um triunfo ideológico, um triunfo artístico - para os fãs de quadrinhos em particular e, em geral, para quem ainda acha que o cinema pode ajudar a pensar. A fita dirigida por James McTeigue é um belo filme de ação e idéias. São os ventos do inconformismo de obras como Boa noite e boa sorte afinal chegando ao cinema-pipoca.


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[07/ABR/2006]


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