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Reis e rainha

Diversão cerebral

Marco Antonio Barbosa

Sucesso de público em seu país de origem, Reis e rainha reúne uma série de chavões que o público já se acostumou a associar ao cinema francês. Citações eruditas, muita conversa e pouca ''ação'', o uso de tempos mortos na narração e uma certa atitude de contemplação da vida que contamina forma e conteúdo do filme de Arnaud Desplechin, diretor ainda pouco conhecido por aqui. Para completar o pacote, ainda tem Catherine Deneuve em um pequeno papel. O filme corrobora as noções pré-concebidas do espectador, mas ainda assim surpreende aqui e ali. Os reis do título são os homens na vida da ''rainha'' Nora (Emmanuelle Devos), uma marchand que tenta reconstruir a vida ao lado do filho, depois de se separar doviolinista Ismael (Mathieu Amalric). A história do músico - que leva uma vida caótica e acaba internado num hospício - segue paralela à de Nora, no curso de uma narrativa longa (duas horas e meia) e cheia de mudanças de foco. A despeito da excelência da interpretação de Devos, as porções dedicadas a Ismael são muito mais interessantes. Muito por causa do ótimo Amalric mas também pelo humor inusitado que Desplechin emprega às desditas do violinista. Interessante como exercício de linguagem (exigindo concentração do espectador), Reis e rainha é diversão para os espíritos mais cerebrais.


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[17/MAR/2006]


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