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Garota da vitrine

Steve Martin fala sério

Ulisses Mattos

Toda pessoa conhecida por fazer graça deve ter um desejo interno de mostrar que também pode ser sério e triste, ser magoado pela namorada ou sofrer com um problema com o filho. O comediante Steve Martin quis mostrar isso em seu livro de estréia, A balconista (2002), transformado em 2005 no filme Garota da vitrine - no qual, além de fazer o roteiro, trabalha como ator e produtor. Não é um filme de humor. Nem ao menos uma comédia romântica. O texto de Martin evita gracinhas e tenta emocionar ou fazer o público refletir ao falar de amor, ou do desejo do amor. É claro que uma ou outra situação engraçada acaba escapando da jaula, seja por obra do roteiro ou apenas pela ótima atuação de Jason Schwartzman, que interpreta a figuraça que tenta conquistar o coração de uma balconista de uma chique loja de departamentos (a carismática Claire Danes). Mas a moça conhece o personagem de Martin, um ricaço de meia-idade, e vai por outro caminho em sua busca por romance. A história é boa, simpática mesmo, mas nada que impressione muito. O filme surpreende mais pela beleza de algumas imagens. Para consegui-las, Martin e companhia foram atrás de nomes inusitados, como o diretor tailandês Anand Tucker (do ótimo Hilary e Jackie) e o diretor de fotografia polonês Peter Suschitzky. Ambos ajudam bastante a dar ao longa uma sobrevida na memória futura da platéia.


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[17/MAR/2006]


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