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Sal de prata

Infiéis no amor e no cinema

Marco Antonio Barbosa

Para Carlos Gerbase, o diretor de Sal de prata, a fidelidade é um fetiche. Seu longa anterior, Tolerância, abordava a questão explicitamente, centrado no contexto do matrimônio. Este filme (que teve o lançamento no Rio adiado várias vezes desde o fim do ano passado) retoma o debate e adiciona uma variante: discute-se não só a traição conjugal, mas também a fidelidade à arte do cinema. O título resume o fetiche: sal de prata é um dos compostos químicos da película cinematográfica. Rudi (Marcos Breda), cineasta, defende - literalmente até a morte - que só as imagens registradas em filme podem ser chamadas de cinema. Quando ele morre, sua namorada Cátia (Maria Fernanda Cãndido) resolve filmar um dos roteiros deixados por Rudi. O longa desenrola-se em torno das idas e vindas de um quadrilátero amoroso (completado por Camila Pitanga e Bruno Garcia) e de um jogo metalingüístico entre o(s) cinema(s) e a realidade. Talvez seja coisa demais para um filme só - que às vezes soa artificial e discursivo e, em outras, apenas pretensioso. Gerbase fala com muito mais propriedade sobre o amor e seus descaminhos. A reflexão sobre o cinema (enquanto arte e suporte físico) fica, forçadamente, em segundo plano.


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[17/MAR/2006]


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