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A dama de honra
Atração fatal à francesa
Marco Antonio Barbosa
A geração de cineastas da nouvelle vague sempre foi tarada por filmes policiais. A pedra fundamental Acossado é, afinal de contas, um filme de gângster. O veterano Claude Chabrol, que já se exercitou várias vezes no gênero, retorna ao estilo com A dama de honra, baseado em romance da especialista Ruth Rendell (também autora do livro no qual Carne trêmula, de Almodóvar, se baseia). De modo sutil e deliberado, Chabrol revela os elementos criminais da trama bem aos pouquinhos - deixando A dama pender mais para um intrigante estudo sobre obsessões amorosas do que para um policial convencional. O clima da fita, que começa retratando o cotidiano de uma família francesa de classe média, ganha tons sombrios à medida que Phillipe (Benoit Magimel), o filho mais velho, envolve-se mais e mais com a bela e misteriosa Senta (Laura Smet). Mais do que entrar nos detalhes dos crimes que acontecem, o filme ganha o espectador pela atmosfera progressivamente sinistra. Observamos o romance entre Senta e Phillipe e sentimos que aquela história só pode acabar mal. Contribui para o envolvimento o desempenho do casal de atores. Magimel transmite bem a crescente desconexão de seu personagem com a realidade, enquanto Laura, com expressão impenetrável, dá sentido ao desequilíbrio de Senta.
[10/MAR/2006]
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