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O matador
Canastrão eficiente
Gustavo Leitão
A gente às vezes se esquece, mas cinema também é entretenimento. O matador, por exemplo, é entretenimento curto, honesto e certeiro. Não arrebata mas também não ofende. Trata-se de um projeto pessoal de Pierce Brosnan, um ator de parcos recursos que se apóia no carisma de canastrão, na linha de Sean Connery e Harrison Ford. Esse perfil veste sob medida o protagonista do longa de Richard Shepard, no qual o ex-007 vive um matador malandro e conquistador. Solitário e à beira de um ataque de nervos, ele parte para mais uma missão, no México. Lá, conhece um homem de negócios (Greg Kinnear), apegado à família e aos valores burgueses. Desse encontro, surge uma inesperada - será? - amizade. Como nos buddy movies, a graça surge do choque de universos dos dois personagens, vividos com élan por Brosnan e Kinnear. A direção ágil e desprovida de afetação, com algumas boas soluções visuais, consegue ser mais atraente do que o enredo, que se limita à sucessão de desdobramentos esperados. Mesmo quando passeia pelo mundo à maneira dos filmes de espionagem, como numa série de slides turísticos, a câmera captura coloridos interessantes. A melhor qualidade da fita, no entanto, é sua duração: cerca de 1h30, coisa rara atualmente. Passa o recado sem parecer discurso de Fidel Castro.
[10/MAR/2006]
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