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Cinema: Clube da lua
Dignidade ainda que tardia
Marco Antonio Barbosa
É surpreendente a capacidade que o cinema argentino tem de digerir a recente crise (econômica e moral) que o país enfrentou - e extrair dos problemas belos filmes. Clube da lua é mais um exemplo dessa capacidade. O diretor Juan Jose Campanella (do igualmente belo O filho da noiva) une risos e melancolia para comentar o ocaso de uma Argentina que as tribulações da década passada se encarregaram de levar. O clube do título é uma daquelas típicas instituições atléticas suburbanas, que no passado eram o centro da vida social dos bairros e hoje se encontram em decadência. Para evitar o fechamento do clube, personagens como Roman (Ricardo Darin) e Amadeo (Eduardo Blanco) fazem das tripas coração, esquecendo-se de que suas vidas também estão à beira do abismo. O clube, outrora grandioso e hoje falido, começa na trama como metáfora da crise argentina. Lá para o fim da história o sub-texto vira debate explícito, sobre a perda da dignidade nacional e as pequenas derrotas as quais os portenhos precisam se acostumar, dia a dia. Mas tudo isso é dito sem bandeirinhas ou discursos. O filme vale-se de humor irresistível e também de cenas comoventes para fazer com que seus personagens (todos demasiadamente humanos) cativem o público.
[10/MAR/2006]
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