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Fora de rumo


Rubens Lima Jr.

O melhor a dizer do primeiro filme em língua inglesa do sueco Mikael Håfström: é um suspense que não se sustenta. Todo o refinamento mostrado em Cruel (2003) - indicado ao Oscar de filme estrangeiro - cai por terra ao ceder à tentação do (mau) comercial. A trama mostra o relacionamento entre duas pessoas já comprometidas, com direito a chantagens de um assassino profissional, estupro, mortes e uma reviravolta no final do tipo não-conte-pra-ninguém-senão-perde-a-graça. A trama rocambolesca e oca de possibilidades é baseada em um best-seller de James Siegel, livro que não sustenta um roteiro de filme. O bom desempenho dos protagonistas consegue, inicialmente, criar uma boa química. Mas o roteiro (de novo ele) não ajuda. O sempre competente Clive Owen e uma surpreendente Jennifer Aniston (conseguindo se descolar de vez da sua personagem da série Friends) estão bem. Vincent Cassel (Irreversível) é mal aproveitado no papel do bandidão e a participação dos rappers Xzbit e RZA são só chamarizes de bilheteria. Fica uma sensação de desperdício, pois o filme começa como um instigante suspense psicológico e descamba para algo que lembra os filmes do ''justiceiro'' Charles Bronson. Para assistir com a certeza de que vai rir (ou se irritar) com essa gororoba disfarçada de caviar.


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[24/FEV/2006]


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