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Cinema: O lado negro do desbunde
Marco Antonio Barbosa
Não, neste filme o espectador não vai encontrar sequer uma menção a Luciana Gimenez. O subtítulo brasileiro (A história secreta dos Rolling Stones) força bonito a barra, pegando carona no show do grupo inglês em Copa. O filme de Stephen Woolley é uma crônica dos últimos dias de Brian Jones (Leo Gregory, muito parecido com o original), o fundador da banda - que desbundou, enfiou o pé nas drogas, foi expulso do grupo e acabou morrendo em 1969, numa histórias mais mal contadas do mundo do rock. Biografia de roqueiro é terreno fértil para acumulação de clichês (vide o recente abacaxi Johnny & June). É natural: vida de rockstar costuma ser mesmo um grande compêndio de clichês. Mas Stoned dá conta do recado com dignidade. Primeiro porque não reduz Jones a uma caricatura: o roteiro aponta seus excessos (caricaturais por natureza), mas se esquiva de tentar explicar e/ou justificar suas ações. As entrelinhas do filme também traçam, com surpreendente complexidade, o choque entre os valores tradicionais da sociedade britânica e a contracultura representada pelos Stones - e esse choque é muito bem personificado por Frank Thorogood (Paddy Considine), o mestre de obras pé-rapado que se aproxima de Jones atrás de dinheiro e acaba virando seu amigo, ao mesmo tempo em que o odiava e o invejava. A bacana trilha sonora, que traz versões de músicas gravadas pelos Stones nos anos 60, também conta pontos.
[17/FEV/2006]
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