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Cinema: Animação-cabeça

Produção alemã traz personagens esquisitos e discussões filosóficas sobre o livre-arbítrio

Patrick Moraes

A recente safra de animações que agradam a crianças e adultos - capitaneada por Shrek e Os incríveis - estabeleceu um patamar difícil de alcançar. A terra encantada de Gaya, uma rara produção alemã de animação a chegar por aqui, cai nessa armadilha e fica num limbo entre o filme infantil e o adolescente. A culpa é da trama metalinguística, complicada demais para os pequenos. Boo, Zino e uma turma formada pelos Smurks, os bad-boys locais, vivem numa pequena aldeia fictícia chamada Gaya. Eles são personagens de um desenho bem-sucedido da TV local e despertam a inveja de um concorrente, que decide sequestrá-los e levá-los para o mundo real. Não bastasse, o sexteto fictício ainda se encontra com o criador do desenho animado, com direito a um papo-cabeça dos personagens mirins sobre o ''livre-arbítrio'' e o ''direito de seguir os seus passos''. A computação gráfica ganha seus pontos nas tomadas panorâmicas, com visuais bonitos, mas cria também personagens que não encantam: em vez de fofinhos, eles são esquisitos, com orelhas de burros em corpos humanos. Na dublagem nacional, Sabrina Sato, a ex-Big Brother Brasil e atual Pânico na TV, com seu sotaque arrastado do interior paulista, faz a voz chatinha da heroína.


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[10/FEV/2006]


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