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Cinema: Mais uma 'love story'
Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, indicados para o Oscar: boas atuações não escondem os clichês
Patrick Moraes
Bem mais do que a versão original - Walk the line, nome de um hit de Johnny Cash - o título brasileiro, Johnny & June, entrega logo as pretensões da fita. Em vez de enveredar na rica trajetória do cantor, o diretor James Mangold resolveu contar apenas mais uma história de amor, protagonizada por Cash e June Carter, uma estrela de segundo escalão dos primórdios do rock 'n' roll. Após um breve prólogo que mostra o início da carreira, a história do Man in Black - ídolo até entre os prisioneiros americanos, com suas histórias sombrias, cantadas por uma voz cavernosa - concentra-se nas passagens e viagens ao lado de June. Mangold (Garota, interrompida e Kate & Leopold) cumpre o traçado sem brilhantismo: embora conte com boas atuações tanto de Joaquin Phoenix (que defende seu personagem com garra) quanto de Reese Witherspoon, a condução do romance prima pelos clichês, com um ápice um tanto previsível. Não falta música na cinebiografia de Cash, mas ela funciona apenas como a trilha sonora para o romance, em vez de ser o motivo principal de o filme existir. Não por acaso, é nesses momentos, em que Phoenix emula o vozeirão de Cash para cantar Ring of fire, Folsom Prison Blues e I walk the line, que o filme brilha. E não há quem segure a vontade de bater o pé no chão do cinema.
[10/FEV/2006]
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