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Cinema: Libelo corajoso

Jake Gyllenhall e Heath Ledger: os dois cowboys gays e barreiras que atravessam o caminho

Patrick Moraes

A coragem permeia O segredo de Brokeback Mountain, campeão de indicações e favorito ao Oscar. Dirigido pelo taiwanês Ang Lee, ele subverte dois ícones do cinema americano: a virilidade e a bravura dos cowboys. A fita, baseada em um pequeno conto publicado na revista New Yorker em 1997, mostra o romance às escondidas entre Jack Twist (Jack Gyllenhall), um vaqueiro de rodeio, e Ennis del Mar (Heath Ledger), um rancheiro, no meio-oeste dos Estados Unidos, nos anos 60. A assinatura de Lee garante uma rara sensibilidade nas implicações que o filme desvenda - desde a dificuldade de compreensão e aceitação da própria homossexualidade até a (falta de) coragem em assumir a afeição pelo outro e virar as costas para as expectativas alheias. Mesmo com um início um tanto abrupto, com algumas tomadas que resvalam no caricato, O segredo de Brokeback Mountain impõe seus méritos gradualmente, quando a espiral de emoções vivida no primeiro encontro enfrenta os quinhões de preconceito social e familiar para manter o affair, num duelo crescente. Sem peripécias nem maneirismo, a discrição de Lee realça a força da história. Ledger e Gyllenhall têm boas atuações, mas é Michelle Williams (Dawson's Creek) quem rouba a cena num filme que tem o poder de manter a força minutos, horas, dias depois.


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[03/FEV/2006]


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