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Cinema: Cinderela nipônica
'Memórias de uma gueixa': prazer estético
Patrick Moraes
Envolto em mistérios, a figura da gueixa ganhou a força de um fetiche a ser descoberto - tanto ocidental quanto oriental. Memórias de uma gueixa, no entanto, não cumpre o propósito de desvendar esses mistérios. Recheado de estrelas orientais - Zhang Zihi (O tigre e o dragão, Herói) , Gong Li (Adeus, minha concubina, Eros) e Ken Watanabe (O último samurai, Batman Begins) - o filme converte-se, porém, no padrão ocidental do diretor Rob Marshall (Chicago). Diante da farta matéria-prima do tema, o roteiro prefere a direção segura de uma fábula. As memórias em questão são de Chiyo, que foi vendida ainda criança para uma casa de formação de gueixas. Mas, revoltada com o destino que lhe foi imposto e com as crueldades as quais é submetida pela matriarca e pela principal gueixa da casa, Chiyo tenta escapar. Como castigo, vira uma escrava. Ela encontra uma solução quando conhece o diretor de uma famosa empresa nipônica e fica admirada - sem outra chance, decide tornar-se uma gueixa para aproximar-se dele. Mas os percalços pelo caminho são muitos. Sem entrar nas sombras e mistérios da vida de uma gueixa, o filme segue a trilha de um novelão que se arrasta por quase duas horas e meia. Nele, o prazer é meramente estético, com fotografia e figurinos exuberantes, que explicam três das seis indicações ao Oscar - as outras três respondem pelo som do filme.
[03/FEV/2006]
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