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Cinema: Psicopata americano
Sean Penn: até o cachorro o trata como 'loser'
Alexandre Werneck
Sem meias-palavras. O assassinato de Richard Nixon investe no mesmo clichê que vem dominando o gênero psicopata-americano: a tese de que o sistema, por mais injusto que seja, não está errado; quem está errado é o indivíduo que não tem controle. Martin Scorsese fez um dos maiores filmes americanos das últimas décadas, Taxi driver, com essa história, mas discutindo os limites do que seja controle e do que seja sistema. Niels Mueller não quer discutir nada. Cartilha na mão, usa um personagem real, mostra como ele é o protótipo do loser , incapaz de manter a mulher, incapaz de se manter em um emprego, incapaz de se adaptar à padronização-imposta-pelo-sistema, enfim, um incapaz. E trilha o caminho da não-aceitação como porta da insanidade. E toma-lhe clichê (tirado da realidade, claro): o sujeito (vivido por Sean Penn com habilidade) tem idéias mirabolantes para fazer sucesso, jura dizer a verdade, quer que os Panteras Negras mudem de nome para Zebras e grava fitas para o maestro Leonard Bernstein (aquele que fez cantarem ''I want to live in America'' no musical West side story). Richard Nixon se torna, nessa operação, o rosto do sistema. E Sam Bicke quer matá-lo porque ele dá forma a toda máquina coletiva que produz seu fracasso como indivíduo.
[27/JAN/2006]
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