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Cinema: Faltou independência

Anthony LaPaglia à mesa com os filhos sem rumo

Leonardo Maia

O cinema independente, por definição, deveria ser desvinculado de regras e normas estabelecidas por grandes estúdios e produtoras. Livre para criar, deveria ser marcado pelo experimentalismo, pela inventividade. Não no caso americano. Talvez contaminados pela mais poderosa indústria cinematográfica do mundo, os filmes independentes americanos geralmente seguem a mesma fórmula segura: são planos, chatos, sem relevo. É o caso deste Sobre pais e filhos, produção cheia de boas intenções. O filme de Josh Sternfeld conta a história de um viúvo pai de dois jovens, que refletem em seu comportamento destrutivo o trauma pela perda da mãe. Destaca-se a atuação de Anthony LaPaglia como o pai. Não se tem muitos diálogos - o que é bom. O problema é que os que existem são fracos e não conseguem tirar máximo proveito do potencial dramático das cenas. Os conflitos pessoais dos personagens também são mal desenvolvidos. Acompanhamos a rebeldia do caçula, mas isso não dá em coisa alguma. Acompanhamos a falta de rumo do irmão mais velho, mas também aí não se chega a lugar nenhum. Vemos o pai iniciando um contato mais íntimo com outra mulher, e não há desenvolvimento. O pecado capital, porém, é a falta de movimento na relação dos três, que, no fim, é basicamente a mesma do início do filme. Para fazer cinema assim é melhor deixar por conta de Hollywood.


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[20/JAN/2006]


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