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Cinema: Sensível e amargo

Nicholas Cage: apresentador impopular

Carlos Helí de Almeida

O sol de cada manhã (The weather man) é um artigo raro no mercado atual: um filme de estúdio com sensibilidade de produção indie. Protagonizado por nomes estelares, como Nicolas Cage e Michael Caine, e capitaneado por um diretor que tem em seu currículo Piratas do Caribe (2003) - blockbuster que já virou franchise (os capítulos dois e três acabam de ser filmados) - o estranho novo filme de Gore Verbinski é um estudo de personagem pintado com cores frias, de ritmo irregular e humor agridoce. Aqui, Cage confere introspecção, desânimo e frustração a David Spritz, o homem do tempo de um noticiário de TV de Chicago que compensa a falta de conhecimento em meteorologia com um gracioso mise-en-scène diante das câmeras. Não que isso o torne uma figura mais popular da cidade, pois é comum, quando em público, receber copos de refrigerante e restos de comida no meio da cara. Some-se a isso um casamento falido, dois filhos adolescentes problemáticos e uma incontrolável necessidade de impressionar o pai (Cane), um escritor consagrado com o Pulitzer e à beira da morte. Monólogos internos externizam os conflitos de Spritz, sublinhados por imagens que não têm pressa de transmitir a idéia de paisagens e vidas em compasso de espera. Enfim, O sol de cada manhã nos conta uma história sobre aceitar quem somos ao invés de sonharmos com o que gostaríamos de ser, conselho que nem todos estão dispostos a ouvir.


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[20/JAN/2006]


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