Teatro: Enfim, rodrigueano

A Armazém encena Nelson pela primeira vez

Carlos Braga

[02/DEZ/2005]

Demorou 18 anos, mas finalmente a Armazém Cia. de Teatro cedeu. O grupo vai comemorar a maioridade encenando pela primeira vez uma peça de Nelson Rodrigues, o dramaturgo mais celebrado do país, no CCBB. A escolha de Toda a nudez será castigada teve motivos sentimentais: o diretor Paulo de Moraes estreou como ator numa encenação da peça em 1986 e sempre quis dirigi-la. ''É o melhor trabalho dele. A narrativa é estruturada em cenas fragmentadas, contadas em flashback. E há uma mudança de protagonistas. Acompanha-se a trajetória de Herculano e depois o foco muda para a Geni. É bem ousado'', explica Paulo, referindo-se ao casal formado pelos personagens principais, vivido por Thales Coutinho e Patrícia Selonk. A história gira em torno do casal formado por um rico viúvo quase casto, que descobre em si uma sexualidade negligenciada, e pela prostituta com quem se envolve depois da morte da mulher. Ela é apresentada a Herculano pelo irmão dele, Patrício, que o odeia. ''O que Herculano e Geni vivenciam é o que qualquer relação amorosa, de uma ou outra maneira, já experimentou: que amar é, também, esperar pelo outro que virá ou não virá'', analisa o diretor.

  • Toda nudez será castigada- Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro 1, Rua Primeiro de Março, 66, Centro (3808-2020). Cap.: 175 pessoas. 4ª a dom., às 19h. R$ 10. Estudantes e idosos pagam meia. Duração: 1h40. Classificação etária: 18 anos. Até 19 de fevereiro.

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